Rastro de destruição: El Niño quebrou 40% mais postes do que colisões de veículos em 2026

Foram nada menos do que 4.048 postes derrubados somente entre setembro e este início de mês; somente em Maringá foram 372 com o tornado.

Os eventos climáticos severos associados ao El Niño têm deixado um grande rastro de destruição na infraestrutura elétrica do Paraná. Entre setembro e o início deste mês, a Copel substituiu 4.048 postes derrubados pelos temporais, um volume 40% superior ao número de estruturas similares danificadas por colisões de veículos em todo o Estado ao longo de quase um ano. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5) pela Copel (Companhia Paranaense de Energia Elétrica),

Desde o dia 1º janeiro até este início de novembro, foram trocadas 2.891 estruturas danificadas por batidas veiculares em todas as cidades paranaenses. Considerado igual tempo de ocorrência dos fenômenos climáticos, de 1° de setembro a 5 de novembro, foram substituídos 504 postes danificados por acidentes de trânsito no Paraná, o que faz com que percentual de estruturas quebradas pelos temporais seja 703,17% maior do que a das que foram alvo de motoristas.

O comparativo diz respeito apenas aos postes, sem incluir no contexto o conjunto de equipamentos, como transformadores, religadores automáticos, entre outros, além cabos rompidos com a queda dessas estruturas.

“Os efeitos das tempestades quebraram ou derrubaram estruturas inteiras da rede elétrica. Para substituir e aprumar os mais de 4 mil postes afetados pelos eventos recentes, a Copel investiu cerca de R$ 11 milhões, um custo coberto pelos investimentos da companhia em infraestrutura para contingências climáticas”, explica o superintendente de Construção e Manutenção de Redes da Copel, Paulo Valadão.     

“A troca de um poste pode levar de três a seis horas, dependendo das condições para a montagem da estrutura, equipamentos instalados e as variáveis externas, como as condições climáticas, de acesso e de terreno. É um conjunto de situações que tem impacto direto no tempo de execução dos serviços e, consequentemente, da recomposição da rede e o religamento dos clientes”, completa o superintendente de Construção e Manutenção de Redes da Copel.    

Eventos climáticos 

O Paraná tem sofrido os efeitos de uma sequência de eventos climáticos extremos projetados para o último quadrimestre deste ano pelos institutos de meteorologia. Na manhã de segunda-feira (2), Dia de Finados, a cidade de Maringá foi atingida por um tornado categoria EF2 na chamada Escala Fujita Aprimorada, com ventos entre 180 km/h e 253km/h.  

No pico dos eventos climáticos, por volta das 7h02, perto de 89 mil unidades consumidoras de Maringá (cerca de 40% de toda a cidade) tiveram o fornecimento da energia interrompido pelos efeitos dos temporais que quebraram 372 postes (contabilizados até esta quinta-feira, dia 5), romperam dezenas de quilômetros de cabos e danificaram equipamentos da rede elétrica.

A classificação dos tornados, conforme a intensidade dos ventos é feita pela chamada Escala Fujita Aprimorada (Escala EF). EF0, ventos de 105 km/h a 137 km/h; EF1, de 138 km/h a 177 km/h; EF2, de 178 km/h a 218 km/h; EF3, de 219 km/h a 266 km/h; EF4, de 267 km/h a 322 km/h e EF5, acima de 322 km/h. Por esta escala, esses fenômenos podem ser considerados Leves (EF0 e EF1, com duração de poucos minutos); Fortes (EF2 e EF3, duram mais de 20 minutos) e Violentos (EF4 e EF5, podem durar mais de uma hora).  

De acordo com levantamento do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná (Simepar), o de janeiro a novembro (incluindo o evento climático que atingiu Maringá), 13 tornados de categorias entre EF1 e EF2 atingiram regiões distintas do Paraná, tendo sido dois em janeiro, um em fevereiro, seis em junho, um em agosto, dois em setembro e um em novembro.  

Além dos tornados, outras condições climáticas como as chamadas correntes de ventos descendentes (downbursts), quedas de granizo e chuvas intensas e intermitentes também atingiram o Estado causando danos à rede elétrica e interrompendo o fornecimento, como a ocorrência de 4 de outubro, primeiro turno das eleições em que o pico de desligamentos alcançou 325 mil unidades consumidoras no Estado, com o restabelecimento da energia de mais de 90% deste total em menos de 24 horas pelas equipes da Copel.

Em anos recentes houve um aumento considerável em número e na frequência de eventos climáticos severos no Paraná, com temporais de grande impacto que derrubam árvores, quebram postes e geram danos à rede elétrica. Entre 2020 e 2022 ocorreram, em média, 12 grandes temporais. Entre 2023 e 2025, o volume de tempestades severas aumentou para 20.

Colisões por veículos

Já a quebra de postes causada por motoristas apresentou queda no comparativo de igual período do ano passado com este ano. De 1º de janeiro a 5 de novembro de 2025, foram 3.116 postes substituídos pela Copel. O ano fechou com 3.610 trocas de postes por colisões de veículos. Neste ano, no mesmo período, foram trocadas 2.891 estruturas deste tipo que dão suporte à rede elétrica, uma diferença de 7,2% a menos do que no ano anterior.

Além dos danos à infraestrutura elétrica, acidentes de trânsito envolvendo postes podem provocar interrupções no fornecimento de energia, afetando residências, comércios, indústrias e serviços essenciais até a conclusão dos reparos pelas equipes da companhia. O custo estimado de substituição de cada poste é de pelo menos R$ 4 mil, considerando materiais, deslocamento e mão de obra. As consequências do desabastecimento são ainda mais marcantes para os consumidores e população de modo geral.

Acidentes de trânsito, fonte causadora de derrubada de postes (foto: divulgação).

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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