Salone del Mobile Milano transforma Milão no epicentro global do design e atrai atenção brasileira

A cidade de Milão vive, nesta semana de abril, um de seus momentos mais emblemáticos do calendário internacional. O Salone del Mobile Milano, que segue até o dia 26, consolida-se como o principal evento global do setor, reunindo milhares de expositores e visitantes de diferentes países em torno de tendências que devem influenciar o mercado nos próximos anos.

Realizado na Fiera Milano, o Salone vai além de uma feira comercial: funciona como plataforma estratégica para lançamento de produtos, validação de tendências e articulação de negócios internacionais. Em paralelo, a cidade se transforma com o Fuorisalone, que espalha instalações, exposições e experiências por diversos bairros, ampliando o alcance do evento para além dos pavilhões oficiais.

Um dos destaques desta edição é a Euroluce, voltada ao setor de iluminação. A mostra reforça uma mudança importante no design contemporâneo: a luz deixa de cumprir apenas uma função técnica e passa a ser pensada como elemento central de bem-estar, sustentabilidade e experiência sensorial.

A presença internacional robusta confirma o papel do evento como ponto de convergência da indústria criativa. Entre os países participantes, o Brasil tem ampliado sua visibilidade, com profissionais e marcas que dialogam com a tradição italiana, mas incorporam identidade própria, marcada pela diversidade de materiais e referências culturais.

Para a advogada internacional e ex-parlamentar italiana Renata Bueno, que acompanha de perto o evento, o Salone representa mais do que uma vitrine de tendências. “Como alguém que transita permanentemente entre o Brasil e a Itália, e que carrega o compromisso de fortalecer pontes institucionais e econômicas entre esses dois países, vejo o Salone não apenas como uma feira, mas como o epicentro de uma verdadeira diplomacia cultural e comercial. Milão deixa de ser apenas a capital financeira italiana para se tornar a vitrine máxima do gênio humano aplicado ao morar e, para nós, brasileiros, esse evento tem um significado ainda mais especial”, afirma.

Segundo ela, a forte presença brasileira não é por acaso. “Existe uma conexão histórica e estética entre Brasil e Itália. O que vemos aqui é uma troca real: o Brasil absorve referências, mas também entrega identidade, inovação e diversidade ao cenário internacional”, destaca.

Especialistas apontam que o Salone também reflete uma transformação mais ampla no setor. A sustentabilidade ganhou protagonismo nesta edição, com destaque para materiais biodegradáveis, processos produtivos de baixo impacto ambiental e soluções alinhadas à economia circular.Renata reforça essa mudança de paradigma. “Como advogada internacional e empreendedora, observo também uma mudança clara de paradigma. O design contemporâneo não busca mais apenas o belo, busca o responsável”, avalia.

Além de vitrine de inovação, o evento se consolida como espaço de articulação econômica. Empresas utilizam o Salone para estabelecer parcerias, expandir mercados e antecipar movimentos estratégicos, reforçando a importância de Milão como hub global do design e dos negócios criativos.

Para Renata, o evento também cumpre um papel estratégico para o futuro. “Participar do Salone é um exercício de visão. É aqui que conseguimos antecipar tendências e transformar inspiração em estratégia concreta, especialmente para países como o Brasil, que têm enorme potencial criativo”, afirma.

Ela também destaca o caráter internacional do encontro. “Para mim, ver tantos países reunidos sob o teto da Fiera Milano é a prova de que a colaboração internacional continua sendo o motor mais poderoso do progresso. A Itália nos ensina que investir em design é investir em qualidade de vida, em identidade e em futuro”, conclui.

Com a cidade funcionando como um grande laboratório urbano durante o período, o Salone del Mobile Milano reafirma seu papel como referência internacional. Até o encerramento, em 26 de abril, a expectativa é de que novas tendências continuem emergindo, influenciando não apenas o design, mas também setores como arquitetura, tecnologia e indústria.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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