Mitos e verdades sobre o câncer de pulmão

No Mês Mundial de Conscientização sobre a doença, presidente do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT) esclarece os principais mitos e reforça a importância do diagnóstico precoce.

Agosto é o Mês Mundial de Conscientização sobre o Câncer de Pulmão, o Agosto Branco, uma oportunidade para ampliar o conhecimento da população sobre uma das doenças oncológicas que mais causa mortes no mundo. Segundo estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deverá registrar cerca de 35 mil novos casos de câncer de pulmão por ano entre 2026 e 2028. Apesar dos avanços no diagnóstico e no tratamento, a doença ainda é diagnosticada, em grande parte dos casos, em estágios avançados, o que reduz significativamente as chances de cura e sobrevida.

Um dos principais desafios no enfrentamento do câncer de pulmão é justamente o diagnóstico tardio. Como os sintomas iniciais podem ser inespecíficos, muitos pacientes procuram atendimento quando a doença já está em estágio avançado. Para pessoas com maior risco, especialmente fumantes e ex-fumantes, o rastreamento por tomografia computadorizada de baixa dose pode identificar tumores em fases iniciais, aumentando as possibilidades de tratamento com intenção curativa. Quando diagnosticado precocemente, o câncer de pulmão apresenta taxa de sobrevida em cinco anos de aproximadamente 65%; considerando todos os estágios da doença, essa taxa é de cerca de 28%.

De acordo com a médica oncologista Samira Mascarenhas, presidente eleita do Grupo Brasileiro de Oncologia Torácica (GBOT), o Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza diferentes modalidades terapêuticas para o tratamento do câncer de pulmão.

“O tratamento disponível varia conforme o tipo do tumor, o estágio da doença e as condições clínicas de cada paciente. Quanto mais cedo conseguimos identificar o câncer, maiores são as possibilidades de tratamento e melhores os desfechos clínicos. Por isso, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce é fundamental para reduzir a mortalidade pela doença.”

Com o objetivo de esclarecer dúvidas frequentes da população, a especialista comenta alguns dos principais mitos e verdades sobre o câncer de pulmão.

  1. O câncer de pulmão é o câncer que mais mata no Brasil e no mundo

Verdade. Embora não seja o tipo de câncer mais frequente em número de casos, o câncer de pulmão lidera as estatísticas de mortalidade por câncer no Brasil e no mundo. Segundo a médica, isso ocorre principalmente porque a maior parte dos diagnósticos ainda acontece em estágios avançados da doença. A boa notícia é que houve avanços importantes nos últimos anos, tanto nos métodos de diagnósticos quanto nas opções terapêuticas. Hoje, contamos com tecnologias como a tomografia computadorizada de baixa dose para rastreamento em populações de alto risco e exames que identificam alterações moleculares importantes para definição da estratégia terapêutica.”

  1. O câncer de pulmão é mais incidente em mulheres do que em homens

Mito: Embora a diferença entre homens e mulheres venha diminuindo nas últimas décadas, o câncer de pulmão ainda apresenta maior incidência na população masculina.

  1. Pessoas que nunca fumaram também podem desenvolver câncer de pulmão

Verdade: O tabagismo permanece sendo o principal fator de risco para a doença. Entretanto, estima-se que entre 10% e 15% dos casos ocorram em pessoas que nunca fumaram. Entre os fatores associados estão a exposição à fumaça passiva do cigarro, poluição atmosférica, gás radônio, fatores genéticos e outras causas ainda em investigação. Segundo a especialista, a ausência de histórico de tabagismo não deve afastar a possibilidade de investigação quando houver suspeita clínica.

  1. Apenas quem apresenta tosse com secreção tem chance de apresentar câncer de pulmão?

Mito: Independentemente do histórico de tabagismo, o câncer de pulmão pode permanecer assintomático nas fases iniciais. Quando os sintomas surgem, costumam ser semelhantes em fumantes e não fumantes, e incluem tosse persistente, falta de ar, dor no peito, rouquidão, perda de peso sem causa aparente e presença de sangue no escarro. A diferença está no perfil do tumor. Em pessoas que nunca fumaram, é mais frequente o adenocarcinoma pulmonar, subtipo que tende a se desenvolver em regiões mais periféricas do pulmão, podendo permanecer assintomático por mais tempo e atrasar o diagnóstico.

  1. O câncer de pulmão pode ser identificado ainda nos estágios iniciais

Verdade: O rastreamento por tomografia computadorizada de baixa dose é capaz de detectar tumores ainda em fases iniciais da doença, quando as chances de tratamento curativo são maiores. No entanto, esse exame é indicado principalmente para pessoas consideradas de alto risco, levando em conta fatores como idade e histórico de tabagismo, conforme recomendam as diretrizes nacionais e internacionais. A maior parte dos casos ainda é diagnosticada em estágios avançados. Por isso, ampliar o acesso ao diagnóstico precoce continua sendo uma das principais estratégias para reduzir a mortalidade por câncer de pulmão.

  1. Cigarros eletrônicos não são inofensivos

Verdade: Também conhecidos como vapes, os cigarros eletrônicos podem expor o organismo à nicotina e a outras substâncias potencialmente tóxicas. Embora seus efeitos de longo prazo ainda estejam sendo estudados, esses dispositivos não devem ser considerados uma alternativa livre de riscos ao cigarro convencional.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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