Fim do teatro no Congresso Nacional

Os acorrentados retiraram os grilhões e o esparadrapo da boca para, quem sabe, voltarem ao trabalho

A casa do povo foi invadida pelos representes do povo e não para atender ao povo e, sim, a interesses eleitoreiros futuros. Parlamentares da oposição não querem cortar o cordão ligado a Jair Bolsonaro porque dependem dos votos da direita que vem fazendo barulho nos últimos anos.

Depois de 24 horas fazendo teatro nos plenários da Câmara e Senado, os parlamentares aliados de Jair Bolsonaro foram “gentilmente” convidados a encerrarem o manifesto pela prisão do ex-presidente e pela anistia dos envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.

Protestar faz parte do processo democrático. Porém, impedir sessões para discutir projetos para o País é outra coisa.

O Senado retoma nesta quinta-feira (07) os trabalhos com a inclusão do Imposto de Renda. Já na Câmara, a negociação para liberar as discussões foi marcada por tensão e pelo anúncio da oposição de que a proposta de anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro será votada.

Com bocas cobertas por adesivos e correntes amarradas nas mãos, parlamentares de oposição ocuparam por 24 horas as mesas diretoras da Câmara e do Senado em protesto à prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Os parlamentares ainda fizeram refeições e tiveram momentos de oração nos plenários das Casas legislativas.

Para o presidente da Câmara, Hugo Motta, a oposição tem todo o direito de se manifestar, mas isso tem de ser feito obedecendo o Regimento e a Constituição. “Não vamos permitir que atos como os de ontem e de hoje possam ser maiores do que o Plenário e a vontade desta Casa”, afirmou.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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