El Niño acende alerta no campo e ameaça safras no Paraná


“Campo em alerta: El Niño ameaça safras e encarece proteção rural”.

Com mais de 90% de probabilidade de atingir forte intensidade, fenômeno aumenta risco de tempestades, vendavais e excesso de chuva. FAEP cobra seguro rural acessível e ações de prevenção
O campo paranaense entra em estado de alerta. A previsão de um El Niño de forte intensidade, com possibilidade de tempestades, vendavais, granizo e chuvas persistentes, ameaça lavouras, estruturas rurais e pode atingir pelo menos duas safras no Estado.


Segundo o Simepar, com base em informações da Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), há mais de 90% de probabilidade de o fenômeno atingir forte intensidade. O pico deve ocorrer entre outubro e dezembro, com efeitos sobre o Paraná até o primeiro trimestre de 2027.


“Podemos ter maior frequência de vento, tempestades e mais dias consecutivos de chuva”, alerta o meteorologista Reinaldo Kneib, do Simepar.


O sinal de perigo ganhou força depois de episódios extremos recentes. Tornados atingiram Piraí do Sul e Rio Bonito do Iguaçu, este último no fim de 2025. Para o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o avanço dos extremos climáticos exige reação do poder público.


“Esse alerta não pode ser ignorado. O El Niño intenso significa mais risco para os nossos produtores. Vamos seguir cobrando uma política de seguro rural acessível, além de medidas e estratégias de prevenção”, afirma.
Duas safras sob ameaça o fim das culturas de inverno e a próxima safra de verão. No trigo e em outros grãos de inverno, o excesso de umidade aumenta o risco de doenças e perda de qualidade, reduzindo o valor recebido pelo produtor — prejuízo que nem sempre encontra cobertura no seguro rural.


Na soja, tempestades no início do plantio podem provocar erosão, carregar sementes e obrigar ao replantio. Longos períodos de umidade também favorecem a ferrugem asiática, ampliando o uso de fungicidas e elevando os custos de produção.


“Excesso de umidade favorece grãos avariados e doenças na espiga, deteriorando a qualidade”, explica Ana Paula Kowalski, coordenadora do Departamento Técnico e Econômico da FAEP.


Seguro mais caro justamente quando o risco aumenta O problema não termina na lavoura. Com a elevação do risco climático, seguradoras podem restringir apólices ou aumentar os prêmios. Ao mesmo tempo, a subvenção governamental ao seguro rural tem sido insuficiente, pressionando ainda mais as contas das propriedades.
“A conta não fecha, e o valor do seguro acaba pesando na composição do custo de produção”, resume Ana Paula.


A orientação aos produtores é acompanhar diariamente os alertas meteorológicos e, diante da previsão de tempestades severas, proteger animais, máquinas e equipamentos, suspender operações em áreas abertas e verificar antecipadamente telhados, galpões e estufas.


O recado que vem do céu é claro: com o clima cada vez mais extremo, prevenção e seguro rural deixaram de ser apenas proteção — tornaram-se instrumentos de sobrevivência econômica no campo.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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