TRE-PR mantém candidatura de Dallagnol ao Senado por 4 votos a 3

Oposição já anunciou que vai recorrer ao TSE contra candidatura. O ex-procurador pleiteia uma das duas vagas à Câmara Alta pelo Partido Novo.

Em julgamento realizado pelo Tribunal Eleitoral do Paraná (TRE-PR) e encerrado na noite desta terça-feira (8), foi mantido o registro da candidatura de Deltan Dallagnol ao Senado Federal pelo Partido Novo. A decisão final foi tomada por 4 votos a 3, sendo que a relatora, a juíza Vanessa Jamus Marchi, deu seu voto acolhendo o registro. A votação estava empatada em 3 a 3 até a análise pelo presidente da Corte, desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza.

Deltan é um dos candidatos às duas vagas ao Senado Federal pelo Paraná. Nas pesquisas feitas, seu nome sempre tem aparecido em destaque na preferência do eleitorado. A pressa em avaliar sua elegibilidade decorreu das possíveis consequências de uma decisão após a eleição de 4 de outubro, que poderia implicar na necessidade de uma eleição suplementar, com elevado ônus à sociedade e influência no próprio pleito em curso. Apesar de posição favorável, cabe recurso ao Superior Tribunal Federal e que deve ocorrer em breve, como garantiram oposicionistas.

O julgamento analisou uma ação que questionava a elegibilidade de Deltan Dallagnol em razão da cassação de seu mandato pela Justiça Eleitoral em 2023. A maioria do TRE-PR entendeu que aquela decisão não estabeleceu, de forma expressa, uma declaração de inelegibilidade para eleições futuras. O Ministério Público Eleitoral também havia se manifestado pela elegibilidade de Dallagnol. O parecer considerou que a situação atual é distinta daquela analisada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no processo que levou à cassação do mandato parlamentar.

Em 2022, Dallagnol foi eleito deputado federal pelo Paraná, com muma das maiores votações da história. Em maio de 2023, o TSE cassou seu mandato ao entender que ele havia deixado o Ministério Público Federal enquanto ainda estavam em andamento procedimentos disciplinares no Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Na ocasião, o TSE concluiu que a exoneração ocorreu com o objetivo de evitar possíveis consequências dos processos administrativos e aplicou o entendimento previsto na Lei da Ficha Limpa para integrantes do Ministério Público que deixam o cargo enquanto respondem a procedimento disciplinar.

O que disse o candidato…

O ex-procurador Deltan Dallagnol fez manifestação tão logo terminou o julgamento: “O TRE-PR se engrandeceu hoje com uma decisão que não é a meu favor, mas sim a favor do povo do Paraná, que teve quase 345 mil votos anulados em 2023. Hoje o TRE-PR reconheceu uma das maiores injustiças políticas da história do nosso país. Sempre afirmei que estava elegível e que saí do Ministério Público Federal para combater, na política, a corrupção e os abusos dos donos do poder, e agora o TRE-PR demonstrou mais uma vez que sempre cumpri a lei e agi dentro das regras do jogo”. 

Mais adiante, disse: “Enquanto alguns juízes abusam do seu poder na mais alta corte do país, outros resgatam a confiança do Judiciário e da democracia ao defenderem a Constituição, a lei e o direito das pessoas de escolherem seus representantes. Uma das maiores mentiras do PT, a de que eu estaria inelegível, caiu por terra: que ninguém, nunca mais, acredite nas mentiras do PT, que mentiu para o Brasil nos maiores escândalos de corrupção do nosso país. O PT mentiu no Mensalão, mentiu no Petrolão, mentiu no escândalo do INSS, mentiu no escândalo do Master e mentiu sobre a nossa candidatura.  Hoje a Justiça e a verdade venceram, e os paranaenses foram honrados pelo TRE-PR, que garantiu a eles o direito de escolher a nossa candidatura ao Senado nas urnas no dia 4 de outubro”.

Reação imediata e confirmação de recurso

A respeito do julgamento da inelegibilidade do candidato Deltan Dallagnol, o PT-PR informa logo em seguida que recorrerá da decisão em cortes superiores. A avaliação da Federação Brasil da Esperança e da ‘Coligação Paraná Para Todos’ é de que o candidato fugiu de punição ao pedir exoneração, atitude que levou a sua cassação por parte do TSE em 2023 , sendo ratificada pelo STF.

“Recebemos a decisão com tranquilidade, já que em 2022 o mesmo TRE deferiu o mesmo registro por unanimidade e foi reformado pelo TSE. Seguimos agora com 3 votos pela cassação e confiantes que o TSE respeitará o próprio julgamento, a despeito da decisão da maioria do TRE/PR”, declarou os opositores em nota.

O presidente da Federação Brasil da Esperança, Arilson Chiorato, também comentou a decisão do TRE-PR. Ele reforçou que ao longo do julgamento , os desembargadores analisaram uma decisão definitiva tomada pelo TSE. “O TRE-PR optou por 4 votos a 3, revisar uma decisão de um tribunal superior e deferiu a candidatura de um candidato que chegou, inclusive, vazar dados sigilosos de um ministro do STF. É uma decisão muito temerária. Lembrando que em 2022, venceu aqui no TRE por 5×2 e perdeu no TSE por 7×0, a tendência é de acontecer o mesmo”, comentou Arilson.

Fontes de oposição fizeram questão de divulgar que, após o julgamento sobre a candidatura, o presidente desembargador Luciano Carrasco Falavinha Souza teria condenado Dallagnol a pagar multa no valor de R$ 100 mil por litigância de má-fé. A punição está associada à divulgação do documento com informações sigilosas do ministro Cristiano Zanin, juntados aos autos como instrumento de defesa.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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