No tratamento do retinoblastoma, técnica, que é um tipo de radioterapia, concentra a radiação na região do tumor e pode ser considerada em casos localizados, especialmente quando outras opções não alcançam o resultado esperado.
O retinoblastoma, câncer ocular que ocorre principalmente nos primeiros anos de vida, pode ser tratado com diferentes estratégias, definidas de acordo com características como tamanho, localização e extensão do tumor. Entre elas está a braquiterapia, modalidade de radioterapia que concentra a radiação na área a ser tratada e pode ter finalidade curativa em casos selecionados, especialmente quando o tumor permanece localizado no olho e existe a possibilidade de preservá-lo.
Neste Setembro Dourado, mês de conscientização sobre o câncer infantojuvenil, a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) chama a atenção para o papel da técnica entre as possibilidades de tratamento do retinoblastoma. A braquiterapia pode ser considerada, por exemplo, para tratar lesões localizadas quando outras estratégias utilizadas diretamente no tumor não apresentaram o resultado esperado. A indicação depende das características de cada caso e é definida em conjunto pelas diferentes especialidades envolvidas no cuidado da criança.
Embora raro, o retinoblastoma é o câncer que se desenvolve dentro do olho mais frequente na infância. Segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), corresponde a 2,5% a 4% dos cânceres pediátricos. Entre crianças menores de 2 anos, sua participação é maior: aproximadamente um em cada sete casos de câncer diagnosticados nessa faixa etária é um retinoblastoma. A doença ocorre predominantemente nos primeiros anos de vida: cerca de 95% dos casos são diagnosticados antes dos 5 anos. Quando os dois olhos são acometidos, o diagnóstico costuma ocorrer ainda mais cedo, geralmente antes de 1 ano de idade.
O retinoblastoma se desenvolve na retina, tecido localizado na parte interna do olho que capta a luz e participa da formação das imagens. A doença está relacionada a alterações no gene RB1, responsável pela produção de uma proteína que ajuda a controlar a multiplicação das células. Quando esse mecanismo deixa de funcionar adequadamente, as células podem se multiplicar de maneira descontrolada e formar o tumor. Segundo o INCA, não há evidências comprovadas de associação da doença com fatores ambientais ou infecciosos.
De acordo com Michael Jenwei Chen, radio-oncologista, membro da SBRT e coordenador médico no GRAACC, o tratamento do retinoblastoma tem evoluído e pode envolver diferentes estratégias, como laserterapia, crioterapia e quimioterapia, além da própria radioterapia. A escolha depende das características de cada caso e busca controlar a doença e, sempre que possível, preservar o olho e a visão. Nesse contexto, a braquiterapia tem indicação específica e pode ser considerada, por exemplo, quando outras opções utilizadas anteriormente não apresentam o resultado esperado. “Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de cura. E é nesse momento que a braquiterapia pode ser uma alternativa de cura. É uma modalidade bastante efetiva, que permite irradiar de forma localizada a região do olho, sendo considerada em situações em que outras técnicas locais não foram suficientes”, explica o especialista.
Há ainda outra modalidade de radioterapia que pode ser utilizada no tratamento, dependendo da extensão da doença e dos objetivos terapêuticos. Em casos de acometimento cerebral ou quando é necessária uma irradiação complementar após cirurgia na órbita, pode ser indicada a radioterapia com feixe externo. “Quando temos um acometimento mais avançado, como na órbita ou no cérebro, a radioterapia com feixe externo pode ter indicação. Já em um cenário de tentativa de preservação do olho, a braquiterapia ocular pode ser utilizada como complemento para tratar uma lesão localizada dentro do olho”, explica Chen.
Como funciona a braquiterapia
Entre as modalidades de radioterapia, a braquiterapia permite administrar a radiação muito próxima ao tumor. No tratamento do retinoblastoma, uma pequena placa contendo material radioativo é posicionada na parte externa do olho, junto à região correspondente à localização do tumor. Dessa forma, é possível concentrar a dose de radiação na área que precisa ser tratada e reduzir, tanto quanto possível, a exposição dos tecidos saudáveis ao redor. Após o período necessário para a aplicação da dose planejada, a placa é retirada.
A técnica difere da radioterapia com feixe externo, na qual a radiação é direcionada ao tumor a partir de um equipamento localizado fora do corpo. Na braquiterapia, a fonte de radiação fica temporariamente posicionada muito próxima à área que precisa receber o tratamento, o que permite uma aplicação mais localizada.
Como identificar o retinoblastoma?
O diagnóstico precoce pode fazer diferença tanto nas possibilidades de tratamento quanto nas chances de preservação do olho e da visão. Um dos exames capazes de identificar alterações oculares ainda nos primeiros dias de vida é o teste do reflexo vermelho, conhecido como teste do olhinho, realizado nas maternidades. A importância de reconhecer precocemente os sinais da doença ganhou maior visibilidade no país após o diagnóstico de retinoblastoma da filha do jornalista Tiago Leifert e da publicitária Daiana Garbin.
Embora o teste do olhinho seja importante para identificar alterações oculares nos primeiros dias de vida, o retinoblastoma também pode se manifestar posteriormente. Por isso, a atenção aos sinais deve continuar durante os primeiros anos da criança. Um dos principais sinais de alerta é a leucocoria, caracterizada por um reflexo branco na pupila, que pode ser percebido principalmente em fotografias com flash. Outros sinais incluem estrabismo, alterações na aparência dos olhos, vermelhidão persistente, diminuição da visão, movimentos irregulares dos olhos e dor ocular. “Diante dessas alterações, a recomendação é procurar um oftalmologista pediátrico para avaliação e início da investigação”, explica Chen.
A investigação inclui exame oftalmológico detalhado e exames de imagem, como ultrassonografia ocular e ressonância magnética das órbitas e do cérebro, que ajudam a identificar as características do tumor e avaliar a extensão da doença. “A partir desses resultados, a equipe médica define o diagnóstico e o estágio do retinoblastoma e indica o tratamento mais adequado para cada caso”, finaliza Chen.
Sobre a Sociedade Brasileira de Radioterapia
A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), fundada em 1998, é uma associação civil, associativa e científica, sem fins lucrativos, que representa os médicos radio-oncologistas registrados no Brasil. Mais informações em: https://sbradioterapia.com.br/





