Felicidade do brasileiro cai de 89% para 61% em apenas seis meses

Nova medição de “O Mapa da Felicidade Real no Brasil”, realizada entre os dias 4 e 8 de setembro 2026, também mostra redução da rede de apoio e aumento da tristeza associada às redes sociais.

A parcela de brasileiros que se considera feliz caiu de 89,5% para 61,1% entre fevereiro e setembro de 2026. A diferença de 28,4 pontos percentuais aparece em uma nova medição de O Mapa da Felicidade Real no Brasil, realizada pela pesquisadora da Ciência da Felicidade, Renata Rivetti, em parceria com o Instituto Ideia, de pesquisa especializado em opinião pública e estratégia,  com 1.500 pessoas de todas as regiões do país entre os dias 4 e 8 de setembro.

O trabalho de campo coincidiu com a repercussão das denúncias envolvendo o Banco Master e integrantes do Supremo Tribunal Federal, além da intensificação do debate político no período pré-eleitoral.

A pesquisa não perguntou aos entrevistados o que provocou a mudança. Por isso, não é possível atribuir a queda da felicidade a um único acontecimento. Os resultados mostram, no entanto, que a redução ocorreu acompanhada pelo enfraquecimento da percepção de apoio social e pelo aumento da tristeza relacionada ao uso das redes sociais.

“Em fevereiro, 89,5% dos brasileiros se consideravam felizes. Em setembro, encontramos 61,1%. É uma mudança muito expressiva em pouco mais de seis meses e que aparece em um momento crítico, marcado por denúncias, notícias negativas e maior tensão política”, afirma Renata Rivetti, especialista em Ciência da Felicidade e responsável pelo estudo.

Rede de apoio também recua

A parcela dos entrevistados que afirma contar com o apoio de amigos ou familiares caiu de 87,2% para 78,3%. A redução foi de 8,9 pontos percentuais.

Em sentido inverso, aproximadamente 22% dos brasileiros indicam não contar com esse suporte social. “Os vínculos sociais estão entre os fatores mais importantes para a felicidade. Em fevereiro, a rede de apoio era um dos elementos que sustentavam a percepção positiva do brasileiro. Em setembro, vemos menos pessoas dizendo que podem contar com familiares ou amigos”, observa Renata.

Na avaliação da pesquisadora, o ambiente pré-eleitoral pode ajudar a compreender o contexto, mas não deve ser tratado como uma explicação comprovada pelos dados.

“Quando nos aproximamos de uma eleição, as divergências políticas ficam mais presentes nas conversas e nas redes sociais. Pessoas que antes conviviam sem grandes conflitos podem começar a se afastar. Esse processo pode interferir na sensação de apoio e pertencimento, mas seria necessário investigar diretamente essa relação para estabelecer uma conclusão”, ressalta.

Tristeza nas redes sociais chega a 66,1%

A experiência emocional nas redes sociais também piorou. Em fevereiro, 50,5% dos entrevistados afirmavam já ter se sentido tristes ou infelizes ao utilizá-las. Em setembro, esse percentual chegou a 66,1%, alta de 15,6 pontos percentuais.

“Quando a pessoa abre uma rede social em um período de crise, encontra uma grande quantidade de denúncias, conflitos e informações negativas. Além do conteúdo, ela também entra em contato com posicionamentos políticos de pessoas próximas. Isso pode aumentar a tristeza e afetar a esperança em relação ao futuro”, analisa Renata.

O resultado mostra que cresceu o número de pessoas que associa o uso das redes a sentimentos negativos. A pergunta, isoladamente, não permite determinar se a tristeza foi provocada pelas plataformas, pelo conteúdo consumido ou pelo contexto social e político.

Trabalho continua associado à felicidade, mas perde força

Entre os entrevistados que trabalham, 70,8% afirmam que o trabalho contribui para que se sintam mais felizes. Em fevereiro, eram 76,6%.

Considerando os percentuais apresentados, a diferença é de 5,8 pontos percentuais. Apesar do recuo, a maioria dos trabalhadores continua associando o trabalho a uma percepção positiva de felicidade.

“O resultado não significa que o brasileiro tenha deixado de valorizar o trabalho. Ele mostra que essa dimensão também perdeu força em um período no qual todos os indicadores analisados se tornaram menos favoráveis”, afirma Renata.

Para a pesquisadora, a leitura conjunta dos dados é mais relevante do que a análise isolada de cada percentual.

“A queda da felicidade acontece ao mesmo tempo em que diminui a percepção de apoio e aumenta a tristeza nas redes sociais. Isso revela um desgaste emocional que não pode ser explicado por um único episódio. O cenário político é parte do contexto, mas a pesquisa mostra principalmente que alguns dos fatores que sustentavam a felicidade do brasileiro estão mais frágeis”, conclui.

PRINCIPAIS NÚMEROS

  • 61,1% dos entrevistados se consideram felizes, ante 89,5% em fevereiro
    • A queda da felicidade declarada foi de 28,4 pontos percentuais
    • 78,3% afirmam contar com amigos ou familiares, ante 87,2%
    • Aproximadamente 22% indicam não contar com essa rede de apoio
    • 66,1% já se sentiram tristes ou infelizes nas redes sociais, ante 50,5%
    • 70,8% dizem que o trabalho contribui para a felicidade, ante 76,6%

SOBRE A PESQUISA

A nova medição de O Mapa da Felicidade Real no Brasil ouviu 1.500 brasileiros de todas as regiões do país entre 4 e 8 de setembro de 2026.

Os resultados foram comparados com a etapa realizada entre 20 de fevereiro e 1º de março de 2026, que também ouviu 1.500 pessoas de todas as regiões, com margem de erro de 2,5 pontos percentuais e nível de confiança de 95%.

A pesquisa mede percepções declaradas pelos entrevistados. A coincidência do trabalho de campo com a crise institucional ajuda a contextualizar os resultados, mas não comprova que as notícias políticas tenham provocado as mudanças encontradas.

(*) Renata Rivetti é especialista em Ciência da Felicidade, fundadora da Reconnect Happiness at Work, TEDx speaker e autora do livro O poder do bem-estar, publicado pelo selo Objetiva, da Companhia das Letras. É responsável pela condução de “O Mapa da Felicidade Real no Brasil”, pesquisa dedicada a compreender como fatores emocionais, sociais e econômicos influenciam o bem-estar dos brasileiros.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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