O candidato do PDT foi o terceiro e último da série de entrevistas ao vivo na RPC, afiliada à Rede Globo. Moro e Sandro Alex falaram na segunda e terça.
O deputado estadual Requião Filho (PDT), candidato ao governo do Paraná nas eleições de 2026, foi o entrevistado no programa Meio-Dia Paraná da RPC, nesta quarta-feira (16) e defendeu a necessidade de fazer uma auditoria na Copel no período pós-privatização, bem como sustentou a pretensão de acabar com as escolas cívico-militares.
“Ela [Copel] deve atender ao interesse público do Paraná e a gente pode, sim, ir para cima dessa empresa com seriedade, fiscalizando ela e cobrando também da Aneel uma maior seriedade em relação ao Paraná”, argumentou.
A respeito das escolas cívico-militares, o candidato ao executivo estadual afirmou que pretende acabar com o modelo no Paraná. Para Requião Filho, “não há diferença palpável” no currículo das escolas cívico-militares e das normais, e que o projeto se trata de uma “propaganda ideológica”.
Requião filho foi o terceiro e último entrevistado no programa jornalístico da RPC, afiliada da TV Globo. A série tinha sido aberta na segunda-feira (14) com o senador Sergio Moro (PL), outro concorrente ao governo estadual. E prosseguiu na terça-feira (15) com a entrevista com Sandro Alex (PSD), secretário de Estado no governo de Ratinho Junior e apoiado por ele na corrida ao Palácio Iguaçu.
A série de entrevistas ao vivo alcançou os três candidatos que apareceram melhor colocados no cenário estimulado da última pesquisa Quaest de intenção de voto para o governo do Estado. O tempo das entrevistas foi de 30 minutos, com mais um minuto para considerações finais, para cada candidato. Os demais candidatos ao governo do Paraná terão entrevistas gravadas de um minuto, exibidas também no Meio-Dia Paraná, na sexta-feira (18).
Todos os temas que o candidato abordou
Na entrevista desta quarta (16), Requião Filho, que tem a coligação de oito partidos (PDT, Federação Brasil Esperança/PT-PV-PCdoB, Federação PSOL/Rede e Federação Renovação Solidária/Solidariedade-PRD), foi questionado sobre desfiliação e críticas ao PT, o escândalo do INSS e que envolveu o presidente do seu partido (PDT), privatização da Copel, placas secretas da Alep, aposentadoria para o pai como ex-governador, voto impresso e posse de arma, enfrentamento de desastres naturais e chuvas no Paraná, escolas cívico-militares e suas críticas aos investimentos no litoral, como engorda da praia e Ponte de Guaratuba.
Eleito como deputado estadual pelo Partido dos Trabalhadores (PT) em 2022, Requião Filho anunciou sua saída oficial do partido em dezembro de 2024, alegando divergência com a condução econômica do Governo Federal e distanciamento do partido com a militância local. Requião Filho se filiou ao PDT em 2025. Apesar de ter feito críticas ao PT, atualmente sua coligação inclui PT, PCdoB, PV, PSOL e Rede.
Ao ser questionado sobre a relação atual com o PT e o papel do partido caso eleito, Requião Filho disse que mantém as críticas feitas ao Governo Federal lá atrás. “E tenho certeza de que o PT também tem críticas ao Requião Filho. Mas nós convergimos muito mais no que diz respeito a cuidar de pessoas, a ter vacina, saúde pública, educação pública. Então as críticas são mantidas e isso chama-se democracia. A gente consegue ter ideias diferentes, divergir, conversar e construir”, sustentou.
Falando sobre o espaço que o PT terá no Paraná caso seja eleito, o candidato afirmou que terá espaço nas secretarias estaduais quem tiver “capacidade técnica e de gestão”: “Não vou nem perguntar o partido, vou perguntar se tem capacidade de estar à frente da secretaria”, disse.
Questionado sobre o escândalo do INSS, que estourou na época em que Carlos Lupi — presidente nacional do PDT — era ministro da Previdência Social (deixou o cargo em maio de 2025, depois de uma operação da Polícia Federal, mas seguiu na presidência do partido), Requião Filho disse que Lupi admitiu na CPI que foi avisado em 2023 dos desvios no INSS, mas que “não tinha dimensão da fraude”. Dos R$ 5,8 bilhões desviados, R$ 4 bilhões foram registrados enquanto Lupi era ministro.
De acordo com Requião Filho, em 2019, o então ministro da Justiça, Sergio Moro, que agora é candidato ao governo do Paraná pelo PL, foi avisado dos desvios no INSS, mas que “nada fez para investigar”. Justificou ainda que na gestão do presidente Lula (PT) e de Lupi “esse escândalo foi investigado e trazido à público”. Defendeu que, caso haja denúncia, é preciso investigação e que “não passa pano para ninguém”.
Sobre o uso de placas secretas por deputados estaduais da Alep (polêmica revelada pela RPC de que 14 deputados estavam utilizando o benefício e que, após repercussão, tiveram que devolver as placas reservadas), Requião Filho afirmou que, como membro da mesa diretora da Alep na época, recebeu a placa. “Todos os membros da mesa receberam”, disse.
Ao ser questionado sobre o que pensava sobre o benefício, sustentou que não fugia muito da “questão de segurança” para os deputados estaduais. E disse que “não era a favor e nem contra, porque foi uma lei aprovada. Lei aprovada, benefício cedido a todos. Lei revogada, benefício cassado. Acho que a gente trabalha dentro da legalidade. Seria um benefício se fosse para um, para dois, mas era para a mesa toda”, justificou.
Questionado sobre considerar justo que ex-governadores, inclusive o pai dele, Roberto Requião, recebessem uma aposentadoria após o final do mandato, o candidato disse que esse valor funciona como uma garantia para que quem chegou ao maior cargo do Executivo possa “fazer um governo austero”, sem “fazer favor para ninguém”.
Requião Filho já se posicionou de forma favorável ao porte e posse de armas, o que diverge do posicionamento histórico de partidos que estão na mesma coligação, como PT, PCdoB, PV e PSOL. Sobre isso, afirmou que não volta atrás e que mantém o posicionamento. Ele também diverge dos partidos aliados ao defender o voto impresso. Os dois temas não são abordados no plano de governo do candidato.
“Antes de mais nada, vem a minha consciência. Eu tenho porte de arma e venho de uma família de colecionadores. Seria hipócrita mudar o discurso”, explicou. Sobre a impressão de votos nas eleições, argumentou que se trata, na verdade, de um voto auditável. “Não é, necessariamente, a volta daquele votinho só no papel. É um projeto, inclusive do Roberto Requião, que passou lá atrás no Senado, onde a urna eletrônica imprimiria um comprovante, e esse comprovante cairia em outra urna, um caixote, para que, se fosse necessário, houvesse depois uma conferência”, alegou, complementando que a medida traria maior “segurança jurídica e tranquilidade” neste momento em que as instituições políticas “são questionadas a todo momento”.
O candidato da coligação Paraná para Todos afirmou que tem como proposta retomar programas de proteção de mata ciliar para proteger rios e nascentes. E que tem um projeto de corredor biológico que precisa ser ampliado, mas não detalha como seria o projeto. Disse ser necessário cuidar do meio ambiente e fazer a proteção hídrica para alcançar segurança climática e garantir a produção agrícola no estado, afirmando que “lá atrás a gente achou que podia desmatar tudo para plantar”. É defensor de uma “conscientização dessa importância do meio ambiente, essa parceria com o agronegócio para se ter um agro sustentável e a defesa daquele pouco que sobrou de florestas e Mata Atlântica aqui no Paraná”.
Questionado sobre críticas que fez à construção da Ponte de Guaratuba, afirmando que as obras serviam apenas aos veranistas, o candidato disse que os investimentos no Litoral deveriam ser voltados à duplicação das estradas da região, saneamento básico, estrutura para atrair mais indústrias limpas, água, esgoto e saúde. Disse também que não era contrário à Ponte de Guaratuba, mas que deveriam ter sido priorizados os acessos antes da ponte e que a obra foi feita “de maneira atropelada, assoberbada, para entregar antes da eleição”.
Requião Filho sustentou: “Então o litoral precisa ser um litoral que funcione para quem mora no litoral o ano todo, com saúde, com educação, com infraestrutura. No Hospital Regional do Litoral, por exemplo: as denúncias são inúmeras sobre falta de atendimento, atendimento ruim, falta de capacidade, superlotação […]. Será que quem mora no litoral estava mais preocupado com o show ou com o hospital para atender a sua família quando está doente?”, questionou. Pontuou ainda que não pretende acabar com os shows no verão na região, que é uma forma de promover a cultura, o turismo e aquecer o mercado, mas que vai “passar bem a limpo”, saber quanto custa e qual a prioridade no investimento.
Fontes: Com informações da RPC e G1 Paraná.






