Sobretaxa da China à carne brasileira tem impacto no Paraná

Veto à carne brasileira

No cenário global, a carne bovina brasileira é comercializada em mais de 170 países dos cinco continentes.

Com a cobrança de uma sobretaxa de 55% pela China sobre a carne bovina brasileira que excede a cota anual de importação exige que o governo federal trabalhe para abrir novos mercados consumidores. A avaliação é do presidente do Sistema Faep, Ágide Meneguette.

Para o dirigente do agro paranaense, a medida encarece a entrada da carne brasileira no mercado chinês, tirando competitividade dos produtos paranaenses. Uma solução é o governo federal trabalhar para abrir novos mercados, para que os produtores não sejam penalizados. A diversificação de compradores oferece alternativas ao seto

De acordo com Meneguette, “o Paraná tem apenas uma planta habilitada para exportação de carne bovina para o país asiático, desde 2023, localizada em Cruzeiro do Oeste. Ou seja, essa sobretaxa impacta os nossos pecuaristas, que trabalham para produzir carne de qualidade”.

A tarifa adicional passou a valer em 1º de outubro, após o Brasil atingir o limite de 1,106 milhão de toneladas estabelecido para 2026. Somada à alíquota padrão de 12%, a sobretaxa eleva a tarifa de importação para 67% sobre os volumes excedentes, encarecendo a entrada da carne brasileira no mercado chinês.

O mecanismo integra as medidas de salvaguarda adotadas pela China para proteger sua indústria doméstica. Em vigor desde 1º de janeiro de 2026, as regras estabelecem cotas por país fornecedor e cobrança adicional sobre as importações que ultrapassarem esses limites.

A dimensão do mercado chinês ajuda a explicar a preocupação do setor. Em 2025, as exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada e congelada para o país somaram aproximadamente US$ 8,84 bilhões, com volume de 1,65 milhão de toneladas. Atualmente, Mato Grosso, São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul concentram a parcela mais expressiva das vendas de carne bovina ao mercado chinês.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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