Cultura não precisa de um governador que saiba recitar poesia. Precisa de um governo que não deixe a poesia, a arte e a memória paranaense sem voz.
Artistas, escritores, produtores culturais e instituições ligadas à preservação da memória paranaense estão apreensivos, diante de incertezas com a chegada de Sergio Moro ao Governo do Estado. A pergunta: qual será o espaço reservado à cultura na nova administração?
A preocupação merece atenção, especialmente diante da percepção, entre setores culturais, de que Moro ainda não demonstrou publicamente uma identificação clara com as manifestações artísticas e culturais do Estado. Essa avaliação, porém, precisa ser confrontada com suas propostas, compromissos e futuras escolhas administrativas.
O Paraná tem uma história cultural que não cabe apenas nos palcos, museus e bibliotecas. Está na literatura, no teatro, na música, no cinema, nas tradições populares e na memória de seus 399 municípios.
Lembramos que o movimento cultural do Paraná é um dos mais fortes e respeitado nacionalmente, principalmente no teatro e na literatura, com nomes como Cristóvão Tezza, Domingos Pellegrini, Luci Collin, Caetano Galindo, Giovana Madalosso, Dalton Trevisan e Paulo Leminski, entre outros.
Patrimônio da sociedade
Não é preciso que um governador seja artista, escritor ou frequentador assíduo de espetáculos. É saber se terá sensibilidade administrativa para compreender que cultura não é ornamento de governo, mas patrimônio da sociedade.
A escolha do futuro secretário estadual da Cultura, se a pasta não for extinta, a continuidade dos programas de incentivo e os recursos destinados ao setor serão os primeiros sinais concretos dessa relação.
Cultura não precisa de um governador que saiba recitar poesia. Precisa de um governo que não deixe a poesia, a arte e a memória paranaense sem voz.





