Presidente Lula (PT) e oposicionista Flávio Bolsonaro (PL) caminham à reta final da eleição em aparente igualdade de forças.
O debate na televisão se apresenta no momento, ao que se presume e salvo alguma derrapada histórica de última hora, o grande desafio para que Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e Flávio Bolsonaro (PL), oposicionista que busca a sucessão, galguem algum fôlego para tentar chegar em vantagem em 25 de outubro, dia da votação do segundo turno. A se confirmar o confronto verbal e de ideias, o primeiro previsto para dia 18 (foi drible Flávio dizer que só iria no de 23?), o desempenho de cada um deles pode significar peso na balança – ou na gangorra – para angariar votos de indecisos, estimular aqueles que não foram votar no primeiro turno ou que ainda estão em dúvida se vão.
As muitas pesquisas eleitorais que se sucederam e se sucedem nos últimos dias mostram um cenário de aparente igualdade de forças ou, como indicado nas amostragens, “empate técnico dentro da margem de erro”. Do mesmo modo, governantes e legisladores eleitos, reeleitos ou que ainda buscam votos no segundo turno, juntamente com as legendas políticas que se alinharam aos dois candidatos, não oferecem grande impacto junto ao eleitorado. Esta pelo menos é a sensação quando se prospecta variantes de vulto na massa.
O conflito nas redes sociais, a multiplicação de fake news e promessas mirabolantes de campanha para seduzir o eleitor menos atento são elementos que vão apimentar estes últimos dias antes da verdade das urnas. E isso é típico de jornadas com tamanha polarização. Tenha-se posição firme da Justiça Eleitoral ou não, pois sua métrica dificilmente vai alcançar os limites legais, éticos e democráticos. Nesta guerra, pouco provável que o desfecho possa trazer um futuro de paz, de respeito às correntes ideológicas opostas derrubadas nas urnas ou de agregação de projetos enriquecedores para melhores momentos ao País.
Do que se observa hoje, em olhar global sobre o Brasil, não haverá elos às correntes. O lado vencedor continuará jogando duro. Ou até mais duro do que foi até agora. Lula, se reeleito, já deixou claro que não baixará a guarda para amenizar a situação do antecessor Jair Bolsonaro, hoje preso e condenado sob acusação de atos antidemocráticos. Mais que isso, na manifestação da Paulista, seus seguidores fizeram coro ao fim da “esquerda paz e amor”. Flávio, por sua vez, já sinalizou com movimentos para enfraquecer o Supremo Tribunal Federal e ministros que jogaram duros contra os atos de 8 de janeiro de 2023 ou que adotaram posições que o bolsonarismo ou a direita não concordam.
O que teremos pela frente?
A oposição chega a 2027 com um legislativo mais próximo à sua mão, o que significa ponto facilitador a um governo de Flávio. Mesmo com as dificuldades inerentes na lida com o Congresso Nacional, Lula, se reeleito, teria outros trunfos a explorar, além do próprio respaldo popular extraído do desfecho eleitoral. A começar pelo apoio aos aliados atuais presidentes da Câmara e do Senado e, mais à frente, podendo alimentar a Corte da Justiça com nomes de sua escolha. Primeiro com o substituto de Roberto Barroso; depois, com os ministros que serão aposentados compulsoriamente ao longo do mandato (a tal PEC da bengala). Fux em abril de 2028, Carmen Lúcia um ano depois e Gilmar Mendes em dezembro de 2030.
A recíproca é verdadeira na hipótese de o filho de Jair Bolsonaro chegar ao poder e encaixar até quatro ministros (!?). Afinal, a promessa de campanha de oposicionistas é de escrutinar alguns dos ministros. Ou seja, colocá-los à prova por atitudes ou decisões que possam ter ultrapassado a linha da ética e/ou da Constituição. Nesse item, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e até Zanin e Gilmar podem entrar na linha de “tiro”.
Se derrotado, Lula se despede da política sem ter moldado um estadista sucessor à altura e, mais do que isso, colocaria o Partido dos Trabalhadores em efetiva decadência. Se Flávio for o derrotado, por certo seu projeto de seguir os caminhos do pai estará cercado de armadilhas. Fortalecido pela reeleição em São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) pode até ser convencido a renunciar ao seu voto de lealdade ao mentor, o que parece pouco provável ao se vislumbrar 2030.






