Ratinho Junior diante de uma encruzilhada

Ratinho tem dificuldades para trocar uma candidatura regional por uma nacional e, se insistir, pode inviabilizar vários de seus companheiros na disputa paranaense

O governador do Paraná, Ratinho Junior (PSD), encontra-se diante de uma decisão crucial que poderá definir não apenas seu futuro político, mas também o rumo da liderança que construiu no estado. Entre lançar-se à disputa pela Presidência da República ou buscar uma vaga no Senado Federal, Ratinho encara, nos bastidores, uma crise silenciosa — e potencialmente devastadora — para seu projeto de poder.

A escolha de um sucessor é um ponto nevrálgico. Caso aposte em Guto Silva, amigo pessoal e nome de sua confiança, o governador estará colocando todas as fichas em um único tabuleiro, correndo o risco de ignorar o capital político de outro aliado: o deputado estadual Alexandre Curi, atual presidente da Assembleia Legislativa e também do PSD.

Fissuras no Palácio

A preferência por Guto pode gerar fissuras internas e abrir espaço para a oposição, especialmente se o grupo liderado por Ricardo Barros (PP) decidir vir com força total, seja com a ex-governadora Cida Borghetti ou até mesmo com o senador Sergio Moro.

No cenário nacional, Ratinho Junior ainda tenta consolidar seu nome como uma alternativa presidencial. Mas sem o respaldo efetivo do presidente do PSD, Gilberto Kassab, e alianças consistentes, essa empreitada pode não passar de um sonho prematuro. Diante disso, o Senado surge como um caminho mais viável — embora menos ambicioso — para manter-se no jogo.

Margem de erro

No entanto, há um risco real: se errar na escolha do sucessor e perder o governo do Paraná, Ratinho pode ficar à margem da política por, no mínimo, oito anos. Seria um baque duro para quem ascendeu embalado pela força do sobrenome e do apoio midiático do pai, o apresentador Ratinho, agora apelidado nos bastidores como “Ratão”.

Cascas de banana no caminho

Para o cientista político, jornalista e professo, Emerson Cervi, a Federação entre União e Progressistas é uma decisão nacional, mas que tem grande impacto nas eleições de 2026 no Paraná. A futura federação reunião lideranças importantes do Paraná, e em cada um dos partidos há representantes dentro e fora do governo Ratinho. De qualquer maneira, essa federação tem condições para apresentar-se com candidaturas para o governo do Estado e Senado, além de potencial de crescimento de bancadas legislativas. Se isso estava na mesa de discussões para 2026 ainda como incertezas, agora começa a se mostrar cada vez mais uma ameaça concreta aos projetos iniciais do grupo do governador Ratinho.

Volume de conflitos no governo decisão de deixar o governo do Estado um ano antes do prazo legal de desincompatibilização para tentar apresentar seu nome nacionalmente foi do próprio governador. E ele deveria saber que ao se distanciar do Paraná, disputa internas no governo e entre quem tem um pé dentro e outro fora do governo, cresceriam exponencialmente.

Leite, potencial problema

O volume de conflitos dentro do governo só tende a aumentar conforme se aproxima 2026, o que pode chegar ao ponto de comprometer a continuidade do grupo no governo. O pior é que não houve nenhum grande movimento em favor de Ratinho como candidato a presidente, fora do Paraná. Ele continua sendo a segunda ou terceira opção de um partido que historicamente não opta por candidato próprio. Além disso, a possibilidade de filiação de Eduardo Leite ao PSD é outro potencial problema. Quer dizer, Ratinho tem dificuldades para trocar uma candidatura regional por uma nacional e, se insistir, pode inviabilizar vários de seus companheiros na disputa paranaense. Mas, como disse, foi uma opção do governador, que sabe que a responsabilidade final recairá sobre ele.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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