Na guerra contra o governo, Hugo Motta vira “inimigo do povo”

O presidente da Câmara dos Deputados mexeu em um vespeiro e terá que aguentar com as consequências. Virou inimigo do povo

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB) se tornou alvo de uma verdadeira enxurrada de críticas nas redes sociais. Após atos polêmicos no Congresso e a tentativa de peitar o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o deputado passou a ser visto por muitos como mais um símbolo do distanciamento entre o parlamento e a população.

Nesta ousadia de querer dar um salto maior que as pernas, pretendendo legislar em causa própria e para os campeões de emendas no Congresso Nacional, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, acabou enfiando a cara em um vespeiro. Peitar o presidente da República é um desafio perigoso.

A tropa de choque do governo entrou em campo e, nas redes sociais, está insinuando que Motta é “inimigo do povo brasileiro”, além de não ter antecedentes recomendáveis para presidir o legislativo brasileiro. Desnuda ações familiares envolvidas em falcatruas na Paraíba, de onde vem.

Internautas não perdoaram: os adjetivos vão de “traidor” a “inimigo do povo”, com postagens acusando o deputado de trair os eleitores e se curvar às ordens do Planalto. Nos grupos de WhatsApp e perfis mais engajados do X (antigo Twitter), o nome de Hugo Motta virou sinônimo de indignação popular.

Enquanto isso, ele mantém o silêncio — como se ignorar o barulho das ruas fosse solução. Mas o povo, quando acorda, não esquece.

Um político amigo que circula em Brasília e tem credibilidade em todo o país diz: “Um país que tem como presidente da Câmara dos Deputados um cidadão como Hugo Mota é um país de futuro duvidoso. Não é recomendável”.

Ainda não bateu o desespero, mas o massacre nas redes sociais deve ter incomodado Hugo Mota e sua turma. Nenhum político quer carregar a digital na cara de inimigo do povo. Se essa onda perdurar por mais alguns meses, não apenas o presidente, mas o Congresso Nacional marcará mais um ponto negativo junto ao eleitorado.

Tudo porque Mota barrou a medida do governo federal sobre o aumento do IOF para os mais ricos em 1%, o que não deveria afetar muita gente. O apelo de Lula é social, no sentido de ajudar os mais pobres. Uma política tributária de justiça. Quem sabe, os próprios ricos aceitariam sem fazer estardalhaços.

A guerra está apenas começando. O Executivo é forte.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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