Que tal os políticos criarem emendas para querosene nos aviões da FAB

Um corte de R$ 2,6 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa – e, com ele, a rotina operacional da Aeronáutica entrou em modo crítico.

Passando os olhos em jornais e revistas especializadas do setor da aviação, observei um cenário cômico: falta gasolina para os aviões da FAB. Estão todos – ou a maioria – no solo. Se o Paraguai resolver invadir o país, estamos fritos. Mas, nas conversas de bar, a unanimidade: pelo menos não gastam combustíveis levando políticos para festas e às suas casas.

Bem, aviões no chão, orçamento no vermelho. O recado dos militares é direto: as Forças Armadas brasileiras estão à beira de paralisar atividades essenciais, inclusive o transporte aéreo de autoridades, por pura e simples falta de dinheiro. O motivo? Um corte de R$ 2,6 bilhões no orçamento do Ministério da Defesa – e, com ele, a rotina operacional da Aeronáutica entrou em modo crítico.

Independentemente de posicionamentos ideológicos, o fato é que a Defesa Nacional não pode funcionar com os tanques vazios. E aqui não se trata de belicismo ou culto ao poder militar. Trata-se de logística básica, presença institucional, soberania, e sim, segurança.

Enquanto o Brasil gasta bilhões com emendas parlamentares de duvidosa transparência e sustenta uma máquina pública pesada, os aviões que garantem deslocamento rápido e estratégico de líderes da República podem parar por falta de querosene.

Cortar recursos da Defesa, num país onde tudo depende de distância, pode parecer uma decisão técnica. Mas quando os motores silenciam e os aviões ficam no hangar, o silêncio também é estratégico.

 

 

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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