Podemos nos libertar, finalmente, do famoso complexo de vira-latas

Ajoelhados ao lado de Trump nunca seremos  um país grande. Ele já deixou claro que o Brasil não passa de uma peça descartável no xadrez dos interesses americanos.

Lembrei do dramaturgo Nelson Rodrigues para desenhar este artigo sobre a guerra fria entre Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva. Ideológica e retaliatória, Trump usa mão pesada de troglodita americano que pouco se importa com nossa Nação arrasta, como fio condutor da trágica carta, o ex-presidente Jair Bolsonaro e seu Eduardo.

Em complexo de vira-latas, Nelson Rodrigues referia-se um  sentimento de inferioridades por parte dos brasileiros em relação a outros países, especialmente os desenvolvidos.

Essa crítica de Nelson Rodrigues cai como uma luva. O alinhamento automático e submisso de parte do bolsonarismo a Donald Trump  é um prato cheio para ser analisado sob o complexo de vira-latas.

Bolsonaro e aliados tratam Trump como uma espécie de grande chefe da direita mundial. Isso cria uma relação de inferioridade, onde o Brasil parece pequenez   que aceita qualquer tratamento, inclusive retaliações comerciais e diplomáticas.

Trump já deixou claro que o Brasil não passa, para ele, de uma peça descartável no xadrez dos interesses americanos. Em seu governo, impôs barreiras comerciais ao aço brasileiro, desdenhou de questões ambientais vitais à nossa soberania e ignorou solenemente qualquer tentativa de diálogo em pé de igualdade. Ainda assim, foi endeusado por Bolsonaro e por sua militância como um líder global, numa aliança que mais parecia idolatria do que diplomacia.

O bolsonarismo importou, sem qualquer filtro, pautas dos Estados Unidos: guerra cultural, negacionismo científico, culto às armas, desconfiança nas urnas. Em vez de pensar o Brasil a partir do Brasil, transformou-se numa cópia mal-acabada da ultradireita americana.

Essa adoração revela muito mais do que afinidade ideológica. Mostra uma síndrome de inferioridade travestida de orgulho nacional.

A  submissão, ainda que disfarçada de parceria, nunca levou o país adiante. E que orgulho de verdade não se mede por quem se segue, mas por onde se quer chegar.

Mais intrigante é a postura do governador de São Paulo, totalmente servil ao Bolsonaro

Isto a história já nos ensinou

 

 

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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