A manchete de 50 anos atrás do jornal Folha de Londrina, da Capital do Café, mostra o impacto econômico da época. Iniciou-se ali o fortalecimento de outras culturas e modernização das cadeias produtivas de proteína animal.
Ganhou amplo destaque os meios de comunicação, neste 18 de julho, a passagem do 50°aniversário do trágico fenômeno meteorológico que devastou os cafezais e determinou a mudança do perfil agropecuário do Paraná. A chamada geada negra impôs o fim da produção de café em alta escala e iniciou a migração para outras culturas, como o cultivo de soja e outros grãos. Também levou ao crescimento da horticultura como ativo comercial e a modernização das cadeias de proteínas animais, particularmente na avicultura e suinocultura.
Em notícia sobre o tema divulgado pela Agência de Notícias do Governo do Estado, o então diretor do Departamento de Economia Rural/Seab naquele 1975 era o agrônomo Eugenio Stefanelo, que faz uma leitura do cenário que se seguiu: “A diversificação das culturas foi um fato importante que presenciei”, ressaltando que esse processo continuou contando com cafeicultores, que até hoje mantém a produção, principalmente de cafés especiais.
Stefanelo lembra que na tarde de 17 de julho de 1975 o governador Jaime Canet Junior telefonou para o secretário da Agricultura Paulo Carneiro pedindo que todos os servidores do Deral ficassem de prontidão, pois já se previa um frio mais intenso. Por volta das 21 horas, o governador questionou o próprio Stefanelo. “Lamento dizer, mas acredito que pela marcha da temperatura os cafezais terão um grande baque”, respondeu.
O governador do Paraná no período era Jayme Canet Junior, que recebeu o triste diagnóstico: pelo menos 60% dos cafezais que cobriam 1,8 milhão de hectares foram destruídos. Era o fim de um ciclo econômico do Estado, que no início da década de 1960 havia conquistado a liderança na produção de café, passando São Paulo, com 21,3 milhões de sacas anuais e representando 64% da volume nacional.
Imediatamente depois da geada de 1975, o Estado ainda manteve participação importante na produção, chegando a representar mais de 20% da safra nacional no final da década de 1980, porém nunca mais liderou. Já na década de 1990 a participação média foi de menos de 10%, baixando para menos de 5% nos anos 2000 e menos de 3% nos anos 2010. A estimativa atual é de 718 mil sacas (43,1 mil toneladas), produzidas em 25,4 mil hectares, o que representa 1% da safra nacional. O Norte Pioneiro é hoje a maior região produtora do Estado. Apenas o município de Carlópolis concentra um quarto da produção estadual.






