O centenário de um pioneiro do Noroeste paranaense

Lauro Buogo, que foi pioneiro e ofereceu grande contribuição ao desenvolvimento econômico e social de Alto Paraná e Rondon, comemorou os 100 anos em Cuiabá (MT), onde reside há décadas. O irmão gêmeo Olindo Buogo teve a passagem em São Paulo, capital, onde se radicou há muitos anos.

Pioneiro em duas cidades do Noroeste paranaense, Alto Paraná e Rondon, onde foi cerealista e agropecuarista, Lauro Buogo completou o centenário de nascimento no domingo (17) ao lado de familiares em Cuiabá, capital do Mato Grosso que o acolheu há algumas décadas. Um feito para poucos e que inclui nessa comemoração o irmão gêmeo de Lauro, Olindo Buogo, que também desde a segunda metade do século passado reside na capital paulista.

Lauro Buogo é descendente de italianos, da região de Treviso. O pai dele nasceu no Brasil em 1888 e casou em maio de 1915 em Urussanga, Santa Catarina, onde nasceu parte dos 10 filhos, já que viveu outro período em Tubarão, naquele mesmo estado. Agostinho, a mulher Maria Sartor e dois dos filhos foram se radicar em Alto Paraná no início da década de 1940, quando ainda não era emancipado. Faleceu nessa cidade em 1958. A esta altura, Lauro já era casado com Minardi Vieira, filha de outro pioneiro da região, Pedro Vieira Junior, que também era originário de Santa Catarina.

Lauro e Minardi já tinham os três filhos Gilberto, Gilce e Glayçon quando decidiram desbravar outra região do Noroeste, indo parar em Rondon, cidade fundada em 1945 e emancipada 10 anos depois, que fica próximo a Cianorte e Cidade Gaúcha. Com o irmão Jácomo, Lauro montou inicialmente uma cerealista, que experimentou grande expansão até a derrocada do café. Jácomo faleceu no início de julho último, com seu corpo sendo velado na câmara municipal e contando com várias homenagens da comunidade local por sua trajetória empresarial, política e de projetos sociais. Os sete outros irmãos de Lauro já tinham falecido: Zita, Luiz, Italo, Hilário, Adalgisa, Arminda e Gema.

Além do irmão mais novo, mas nonagenário, Lauro Buogo tinha perdido a esposa Minardi há cerca de dois anos. Embora tenha tido recaída na saúde nos últimos dois anos, inclusive com a perda auditiva gradual, ele mostra muita disposição e encara com bom humor a chegada ao centenário. E brinca com a hábito mantido por décadas, de tomar uma caipirinha e uma latinha de cerveja logo pela manhã, comemorando a chegada de novo dia. Adverte, contudo, que essa não é receita de longevidade. A genética, hábitos saudáveis e a vigilância do filho e dos netos médicos são componentes que lhe permitiram alcançar a marca especial e assim comemorar a data com a presença dos três filhos, dos cinco netos e dos dois bisnetos (foto).

Exemplo de retidão e perseverante nos projetos de vida que abraçou, Lauro Buogo tem ainda em seu histórico o reconhecimento de ajuda e incentivo às famílias mais carentes. Neste porém, merece lembrança o acolhimento em sua casa em Rondon, quase que diariamente na década de 1960, de dois meninos humildes. Sempre eram recebidos com alegria pela esposa de Lauro, D. Minardi, chamada de Tia Preta, que se apressava em fazer um lanche ou oferecer um reforço alimentar. Os meninos nasceram em Astorga, mas já na infância estavam em Rondon. O mais novo, Durval, era da mesma idade do filho mais velho de Lauro e Minardi, Gilberto, hoje renomado médico urologista no Rio de Janeiro. O outro menino, José, era três anos mais velho.

No final dos anos 1960, acreditando no potencial artístico e musical dos meninos, ajudou-os na carreira musical e até colaborou no financiamento do primeiro disco que lançaram, já com o nome de Chitãozinho e Xororó. O que veio depois o Brasil conhece: viraram uma das principais duplas sertanejas do Brasil e referência nesse gênero musical. Em algumas oportunidades, em shows ou entrevistas, aqueles meninos já nos “entas” relembram aspectos daquele período, reverenciando as pessoas que contribuíram para deslancharem na carreira.

Hoje, chegar aos 100 anos é bênção para poucos. E ainda ter um irmão gêmeo vivo a comemorar, mesmo que na distância física. E se a história de vida e de família já é de chamar a atenção, o ingrediente dos irmãos José Lima Sobrinho e Durval dá um brilho extra.

Lauro com os filhos.

 

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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