Erro técnico ou manipulação?

É de se estranhar os institutos de pesquisas que incluem em suas perguntas nomes que não poderão se candidatar, para o cargo, nas eleições de 2026

Esta semana uma pesquisa de opinião sobre as eleições presidenciais de 2026 chamou a atenção por colocar o ex-presidente Jair Bolsonaro em primeiro lugar, sendo que ele está inelegível. Não seria perda de tempo ou desgaste? Consultei o jornalista, professor e especialista em pesquisas eleitorais, Emerson Servi. Veja sua resposta:

“Por que, em termos técnicos, um instituto de pesquisas que quer ser considerado sério, coloca nos cenários de perguntas estimuladas o nome de um político que está impedido de se candidatar?

A presença nas respostas dos entrevistados para a pergunta espontânea eu entendo e se justifica, mas, na estimulada, não tem justificativa técnica.

Pior ainda se o instituto faz simulações de segundo turno com quem não estará nem no primeiro turno.

Por exemplo, por que o deputado Nikolas Ferreira não aparece em nenhum cenário de intenção de voto para presidente em 2026? Simples: ele estará impedido de se candidatar por força da lei, que impede quem tem menos de 35 anos de ser candidato a presidente. Por conta disso, Ferreira não aparece em nenhum cenário, o que é obviamente correto. Mas, nem sempre o óbvio é tão óbvio assim.

Então, desconfie sempre da seriedade de institutos que:

  1. a) publicam resultados de intenção de voto em percentuais com casas decimais.
  2. b) incluem em suas perguntas nomes que não poderão se candidatar, para o cargo, nas próximas eleições.
  3. c) as duas anteriores juntas.

Ah, e não me venha com essa história de que se quer medir a força de um político em transferir votos a outro. Para isso existe uma pergunta específica e não é a intenção de voto – impossível de se concretizar – nele”.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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