Tecnologia devolve autonomia a cirurgião que perdeu movimentos das pernas

Exemplo de superação: após acidente de trânsito em 2022, médico volta a operar em Curitiba graças a equipamento especial adquirido pelos hospitais onde trabalha.

O cirurgião geral e torácico Nelson Bergonse Neto teve sua vida transformada após um acidente de trânsito em 2022. Ele pilotava sua moto quando um motorista avançou o sinal vermelho, resultando em uma colisão na lateral do carro. Quando o Siate chegou ao local, Nelson já estava desacordado e permaneceu assim até dar entrada na UTI. “Tive fraturas no cotovelo, na clavícula direita e nas vértebras torácicas T11 e T12, o que evoluiu para uma paraplegia, causando a perda dos movimentos dos membros inferiores. Além disso, sofri uma contusão encefálica, que gerou um aneurisma cerebral, e uma lesão no fígado”, relembra o médico dos hospitais São Marcelino Champagnat e Universitário Cajuru, em Curitiba (PR).

Após um ano e seis meses afastado para tratamento, Nelson retomou os atendimentos no consultório e queria voltar a realizar broncoscopias (endoscopia das vias aéreas, indicada para o diagnóstico e tratamento de doenças nos pulmões, brônquios e traqueia) e outros procedimentos. No entanto, para isso, precisava de um suporte adequado. “É difícil realizar procedimentos sentado, por isso conversei com a direção dos hospitais sobre a possibilidade de adquirirem uma cadeira especial que me permitisse ficar de pé”, conta o cirurgião, que se formou em 1997 pela Universidade Federal do Paraná.

Acessibilidade e autonomia

O pedido foi levado ao Grupo Marista, que coordena os dois hospitais, e resultou na aquisição de uma cadeira que já possibilita ao médico realizar alguns procedimentos. O equipamento permite que o profissional fique em pé, sentado ou em qualquer posição intermediária. Para garantir segurança, a cadeira conta com cintos de suporte no tronco e nos joelhos, evitando possíveis quedas. Além disso, possibilita movimentação tanto em pé quanto sentado.

Prestes a completar três anos do acidente, Nelson conseguiu realizar a sua primeira cirurgia com o auxílio da cadeira especial. “Eu estava bastante nervoso antes do início da operação. No entanto, assim que começamos, o frio na barriga foi embora e eu consegui fazer o procedimento sem maiores dificuldades”, detalha o médico, que afirma que a cirurgia foi um sucesso e o paciente operado já está recuperado. “Operar sempre foi minha paixão e sei que tenho potencial para mais. Meu objetivo é continuar trabalhando e ser ainda mais independente do que sou hoje”, completa.

“Cuidar do próximo vai além de uma paixão, é uma missão de vida. Se, como instituição, podemos possibilitar que um profissional continue seguindo seu propósito, temos que fazer isso”, afirma o gerente médico do Hospital São Marcelino Champagnat, Jarbas da Motta Junior. “Com a cadeira que adquirimos, o dr. Nelson já conseguia realizar alguns procedimentos que fazia antes do acidente e agora também já pôde voltar a conduzir cirurgias, que era sua maior vontade desde que voltou aos atendimentos”, conclui Motta Junior.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

Outras publicações