A política é cheia de traição, mas não aceita e não perdoa o traidor

Moro e Cristina pavimentam caminhos para onde os ventos sopram mais forte

O mestre Ulisses Guimarães, que nos brindou com a nova Constituinte, dizia em seus discursos que a única coisa que não aceita na política é a traição. Leonel Brizola alertava: o traidor, mais cedo ou mais tarde vai pagar, porque trai, igualmente, o eleitor.

Veja o que está acontecendo hoje na política, com o senador Sergio Moro, que traiu o Podemos de Renata Abreu e Alvaro Dias e foi para o União Brasil, do “centrão” arrastando, consigo, a aprendiz de política, Cristina Graeml que, em 2022, chamou Moro de traidor de Bolsonaro.

Sérgio Moro Foto: Sérgio Lima/Poder360

Pelo jeito, na política a traição anda à galope, mas pode terminar como cavalo paraguaio. Moro abriu e pavimentou a trilha. Ele entrou no Podemos com pompa, saiu pela porta dos fundos sem ao menos apagar a luz.

Cristina Graeml, repetiu o script com a mesma frieza e fortes doses que levam à contradição. Não será surpresa se, ao invés de trocar de paletó, como Moro, trocar de vestido, sempre mirando onde o vento sopra mais forte.

Como alertavam Ulisses e Brizola, no fundo eles não traem apenas partidos, mas traem o eleitor, a confiança e a própria palavra dada em discursos e promessas. Não podemos negar que é um mercado fértil de conveniências, onde lealdade é coisa rara.

Um amigo político que esteve por décadas no Congresso Nacional diz que “oportunismo não vive de ideais, valores, causas e sim de ambição de poder”. Ao fazer uma avaliação sobre as trocas de partidos e traições partidárias, observa que “as aspirações coletivas são ignoradas porque só importa o interesse pessoal. E esse cenário, alimentado por figuras com esse caráter tem levado a vida pública brasileira a um mergulho no oceano da mediocridade, Que esse cenário possa ser alterado pelo eleitor enquanto é tempo”, alertou.

Sérgio Moro terá um grande desafio pela frente ao querer ser hóspede oficial do Palácio Iguaçu. Tem na sua frente, o presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, que, hoje, senta na mesa com os 399 prefeitos e vem transformado o legislativo em uma casa de ética e respeito aos eleitores. Tem, como parceiros, o ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca e o atual prefeito, Eduardo Pimentel.

Outro desafio de Moro é o deputado Ricardo Barros que, certamente, ganhará a convenção para dar espaço à sua esposa e pré-candidata também ao governo paranaense, Cida Borghetti.

Entre Judas engravatados e Madalenas arrependidas de ocasião, todos vendendo lealdade como se fosse promoção de feira. Só que quem paga a conta é o eleitor.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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