A aposta do ministro Fachin em um perfil como o de Andreatta reforça a intenção de pautar sua presidência por diálogo qualificado, pluralidade de visões e respeito às instituições democráticas.
O Supremo Tribunal Federal (STF) conta a partir desta terça-feira (30) com um novo diretor à frente da Assessoria de Articulação Parlamentar (ARP): Alexandre Andreatta, paranaense de Pato Branco, graduado em Relações Internacionais pela Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Ele foi nomeado e empossado esta manhã pelo novo presidente do STF, ministro Edson Fachin, como um dos mais jovens integrantes da sua equipe de gabinete.
A ARP é um setor estratégico da Corte, responsável por acompanhar a agenda legislativa e assessorar o presidente e o tribunal na condução da delicada relação institucional entre o Supremo e o Congresso Nacional. Nesse papel, Andreatta (na foto em destaque, 1° à esquerda, com Fachin) terá a missão de zelar pelo diálogo entre os Poderes e de garantir que os interesses institucionais do Judiciário sejam ouvidos nas discussões parlamentares, sempre com independência e espírito republicano.

Presidente Lula, em janeiro 2010, na inauguração da Unila, em Foz do Iguaçu.
Formação acadêmica e trajetória
Graduado e mestre em Relações Internacionais e Integração Regional pela Unila, em Foz do Iguaçu, Andreatta pertence à primeira turma de formandos da instituição, criada com vocação latino-americana e voltada ao diálogo acadêmico entre países da região. Sua pesquisa concentrou-se nos processos de integração regional e nos mecanismos de cooperação democrática.
Posteriormente, realizou o curso de Direito no Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), em Brasília, onde atualmente é professor no curso de Relações Internacionais. Essa combinação de formações — Relações Internacionais e Direito — confere-lhe uma rara capacidade de transitar entre o debate teórico e a prática institucional.
Experiência profissional diferenciada
Nos últimos oito anos, Alexandre Andreatta atuou em Montevidéu como diretor do Observatório da Democracia do Parlasul, iniciativa dedicada ao acompanhamento de processos eleitorais e às dinâmicas democráticas na região. Nesse período, consolidou uma rede de contatos internacionais e aprofundou sua experiência em mediação política e institucional.
Concomitantemente, assessorou diretamente o deputado federal Arlindo Chinaglia (PT-SP), decano da Câmara dos Deputados e atualmente em seu 9º mandato. Ex-presidente da Câmara (2007–2008) e por duas vezes presidente do Parlasul (2017 e 2025). Em sua última gestão como presidente, Andreatta atuou como Secretário da Presidência do parlamento.
A colaboração com Chinaglia lhe proporcionou uma experiência singular e a oportunidade de acompanhar de perto as últimas duas legislaturas da Câmara Federal, adquirindo, assim, profundo conhecimento do processo legislativo brasileiro. Essa convivência conferiu-lhe ainda o reconhecimento pela capacidade de diálogo com diferentes atores e pela compreensão detalhada dos ritos e bastidores do Congresso Nacional.
Novos desafios no STF
Ao assumir a Chefia de Articulação Parlamentar do STF, Alexandre Andreatta traz uma trajetória marcada pelo diálogo, pela mediação e pelo rigor acadêmico. Sua experiência com o Legislativo nacional e com organismos regionais latino-americanos o credencia para enfrentar os desafios de construir uma ponte sólida entre o STF e o Congresso Nacional em tempos de polarização ideológica e intensas disputas políticas. Sua atuação deverá pautar-se pelo mantra repetido pelo Ministro Fachin no discurso de posse: “Ao Direito o que é do Direito e à política o que é da política.”
A aposta do ministro Fachin em um perfil como o de Andreatta reforça a intenção de pautar sua presidência por diálogo qualificado, pluralidade de visões e respeito às instituições democráticas.





