Saúde física e mental, convívio social e espiritualidade: quatro pilares do envelhecimento saudável

Por Carlos Sperandio – Uma reflexão na passagem, neste 1°de outubro, do Dia Internacional das Pessoas Idosas e Dia Nacional do Idoso.  

Envelhecer com saúde e autonomia vai muito além de garantir exames clínicos e hemogramas sem alterações. Quatro pilares sustentam uma vida longa e saudável:  Biológico, Psicológico, Social e Espiritual. A geriatria precisa ter um olhar para além da saúde física. Costumo dizer que somos médicos do interno e do entorno. A qualidade de cada um desses pilares impacta o outro na qualidade de vida do idoso. Não basta envelhecer, é preciso envelhecer bem.

Defendemos abordagem biopsicossocial e espiritual, que tem como ponto de partida a medicina tradicional, identificando doenças existentes, fatores de risco e métodos preventivos. Mas, se aprofunda no entorno do paciente, nas suas relações sociais e até no que entendemos como propósito de vida.

É claro que, se você quer viver mais, precisa prevenir e tratar doenças. Mas esse é só o começo. Cada etapa da abordagem repercute na seguinte. Quanto melhor e mais saudável está o corpo, melhor a cabeça também responde, por exemplo. Da mesma forma, quanto essa cabeça funciona bem, para o corpo também responde melhor.

O impacto da saúde mental no organismo como um todo é ainda mais evidente no processo de envelhecimento. O aspecto psicológico e social estão estreitamente ligados quando falamos em envelhecimento saudável. É fundamental entender que o cérebro está ligado ao corpo e a forma com que você lida com as questões do dia a dia repercutem no organismo. Da mesma forma, precisamos olhar essa pessoa que está envelhecendo dentro do contexto que ela vive. Quais papéis que ela tem? De pai, de avó? Ou de empregado, provedor ou é pessoa que precisa de ajuda?

Olhar o idoso como participante de um grupo permite entender distúrbios sociais que podem estar presentes e repercutem na saúde mental e, por sua vez, na biológica. Estudos em diversos países mostram que a solidão e o isolamento são fatores de risco para adoecimento e até morte. Mesmo nas redes sociais, normalmente os idosos têm um comportamento passivo, apenas de ler e consumir conteúdo. Mas manter vínculos é tão importante quanto cuidar do coração ou dos ossos.

Da mesma forma, inúmeros estudos relacionam espiritualidade à redução no risco de mortalidade, em especial quando há uma participação ativa em atividades relacionadas.  A espiritualidade não se resume à religião, mas está ligada à capacidade de se sentir conectado a algo maior. Seja por alguma religião, ou não, estamos falando de algo que faz com que você tenha a sensação de que não está aqui por acaso. É ter um propósito que te faça sair da cama de manhã e ter o que agradecer ao voltar.

A Diretriz Brasileira de Prevenção Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), por exemplo, menciona espiritualidade e fatores psicossociais como parte dos determinantes de saúde cardiovascular. A Organização Mundial da Saúde (OMS) também já inclui a espiritualidade no que chama de conceito ampliado de saúde.

(*) Carlos Sperandio é médico geriatra e também especialista em Clínica Médica e Medicina de Família e Comunidade. É sócio-fundador da Clínica Gerus, focada em envelhecimento e qualidade de vida.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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