O Dia do Neurologista é comemorado em 15 de outubro. Atuar para que avanços em terapia de precisão e IA possam chegar aos serviços públicos de saúde é uma das metas da Academia Brasileira de Neurologia.
No dia 15 de outubro, a Academia Brasileira de Neurologia (ABN) celebra o Dia do Neurologista, uma data de dupla celebração: uma homenagem à dedicação incansável dos mais de 7 mil neurologistas brasileiros e um reforço ao compromisso da ABN com a sociedade. A saúde do cérebro é essencial para a qualidade de vida das pessoas, e a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças neurológicas são fundamentais para combater comorbidades, sequelas e mortalidade.
“Para nós, é um momento de grande relevância. Celebramos a dedicação dos neurologistas que trabalham incansavelmente no cuidado do sistema nervoso e dos pacientes em todo o Brasil. E reforçamos nosso compromisso com a sociedade, conscientizando sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças neurológicas”, afirma o Dr. Delson da Silva, presidente da Academia Brasileira de Neurologia.
Desafios da neurologia brasileira
A Neurologia vive uma “era de ouro”, com avanços extraordinários que estão transformando o prognóstico de doenças anteriormente intratáveis. Dentre os destaques, o Dr. Delson aponta:
Terapia de Precisão Genética e Medicina Personalizada: Doenças como a atrofia muscular espinhal, antes sem tratamento, hoje contam com terapias gênicas precisas, baseadas no profundo conhecimento dos seus mecanismos fisiopatológicos.
Diagnóstico por Biomarcadores: A busca por marcadores em líquor, sangue e outros exames permite o diagnóstico cada vez mais precoce de doenças neurológicas.
Inteligência Artificial (IA) e Neuroimagem: A IA desponta como uma ferramenta revolucionária no diagnóstico e prognóstico, prometendo imagens mais trabalhadas e diagnósticos mais precisos e precoces.
O principal desafio no Brasil é garantir que esses avanços cheguem a todos, especialmente ao Sistema Único de Saúde (SUS), que demanda investimento contínuo. “A ABN tem um papel indispensável na construção de políticas de saúde, elaborando protocolos clínicos e diretrizes terapêuticas (PCDT) para as agências reguladoras do Ministério da Saúde, buscando que novas tecnologias e tratamentos cheguem às populações mais carentes”, ressalta Dr. Delson.
Doenças neurológicas com maior incidência no Brasil
Acidente Vascular Cerebral (AVC): Continua sendo uma das maiores causas de morte e incapacidade. A ABN participa ativamente de programas como a Rede AVC, que visa aprimorar o atendimento na prevenção e no tratamento agudo, incluindo a aplicação de trombolíticos.
Cefaleias e enxaquecas: Doenças muito frequentes que afetam a produtividade e a qualidade de vida, também contam com programas de atenção da ABN.
Doenças neurodegenerativas (Parkinson e Alzheimer): Com o envelhecimento crescente da população brasileira e o aumento da expectativa de vida, essas doenças, cujo principal fator de risco é a idade, são uma prioridade em programas junto à comunidade e na formação de profissionais.
Epilepsia: Doença crônica que demanda programas de conscientização para quebrar estigmas e garantir o tratamento adequado.
A ABN atua fortemente na conscientização através de campanhas anuais, como as de combate ao AVC, e incentiva a pesquisa científica por meio de seus departamentos.
Perspectivas de futuro
A neurologia moderna não existe sem o atendimento multiprofissional. A colaboração com cardiologistas (prevenção de AVC), psiquiatras (epilepsia, demências), geriatras (cuidado paliativo), fisioterapeutas, fonoaudiólogos e neurocirurgiões é essencial para proporcionar um atendimento pleno e integrado ao paciente. As perspectivas para os próximos 5 a 10 anos são extremamente promissoras:
Medicina de precisão: Tratamentos cada vez mais personalizados, baseados em perfil genético e biomarcadores, com menos efeitos colaterais.
Neurotecnologia: Interfaces cérebro-computador, próteses controladas, neuroestimulação e monitoramento de pacientes via smartphones são realidades em desenvolvimento.
Telemedicina e Saúde Digital: Ferramentas e aplicativos para um atendimento mais rápido e eficaz, com propostas da ABN para diagnóstico e tratamento.
Toda essa inovação, no entanto, é balizada pela prática clínica ética e segura, garantindo a preservação do paciente.
Formação de excelência e compromisso humanístico
O Dr. Eduardo Uchôa, da Comissão de Exercício Profissional, destaca a complexidade e fascínio da neurologia: “Envolve compreender o sistema que sustenta nossa consciência, identidade e memória — e, portanto, exige atualização constante, reflexão ética e compromisso social.”
No Brasil, com suas desigualdades de acesso, a formação continuada do neurologista é um dever ético. A ABN, através da Comissão de Educação, promove cursos, congressos e plataformas digitais para democratizar o conhecimento, assegurando que os neurologistas brasileiros estejam alinhados aos mais altos padrões científicos.
“A formação do neurologista brasileira é hoje reconhecida internacionalmente, fruto da combinação entre rigor acadêmico, compromisso com o Sistema Único de Saúde e uma tradição de ensino que valoriza tanto a ciência quanto a humanidade”, conclui Dr.Uchôa.
Sobre a ABN
Fundada em 1962, a Academia Brasileira de Neurologia é uma das principais entidades médicas do país, reunindo mais de 5 mil neurologistas. Entre suas missões estão a promoção da educação médica contínua, o desenvolvimento científico e o cuidado com a saúde neurológica da população brasileira.





