O governador carrega, agora, não apenas uma pauta de segurança, mas o peso simbólico de uma fronteira que precisa ser protegida.
O governador Ratinho Junior viaja a São Paulo e depois deve embarcar para o Rio de Janeiro, cidades onde a política e o perigo costumam caminhar lado a lado. Na capital paulista participa de um leilão na B3 e, mais importante, um encontro de governadores do Sul e Sudeste para discutir a tragédia que se abateu sobre o Rio: mais de cento e vinte mortos em uma escalada de violência que parece não ter fim.
O crime, este inimigo invisível, não respeita linhas no mapa. Quando a pressão aumenta nas favelas do Rio e nas periferias de São Paulo, o Comando Vermelho procura novas rotas. E é aí que o Paraná surge no horizonte como terreno fértil, ponto de passagem.
Ratinho Junior sabe disso. Já bateu no peito mais de uma vez, afirmando que “no Paraná, bandido não tem vez”. E a frase ecoa como mantra, como promessa e como desafio. Mas a verdade é que o mapa do crime organizado começa a ganhar novas cores. Vermelhas. As mesmas que tingem o sangue das ruas do Rio de Janeiro.
O governador carrega, agora, não apenas uma pauta de segurança, mas o peso simbólico de uma fronteira que precisa ser protegida. Porque quando o crime se move como vento — silencioso, adaptável e cruel — basta um descuido para que a sombra avance.
E talvez, no fundo, essa viagem não seja apenas uma reunião entre chefes de estado. Talvez seja o primeiro ato de uma guerra que já começou, mas que poucos ainda têm coragem de admitir.





