Por mais que o governador Ratinho Junior tem se esforçado para dotar o litoral paranaense de infraestrutura para atender aos moradores e aos turistas que visitam as praias neste verão que se inicia, há uma preocupação e uma pergunta: será que vai faltar água?
O governador não pode conviver com o que aconteceu em Ponta Grossa no início do ano. Foi um duro golpe para o Governo do Estado, já que houve especulações de que seria descaso com governo de oposição no município.
Para lembrar, o colapso no abastecimento de água em Ponta Grossa escancarou algo que a população já suspeitava há anos: a gestão da Sanepar no município não falhou por acaso — falhou por negligência, omissão e confortável inércia.
Não foi a estiagem, não foi um evento imprevisível, tampouco um “problema técnico pontual”. Foi falta de planejamento, descumprimento de cronogramas e desprezo pelo consumidor.
O Plano Municipal de Saneamento previa, desde 2015, alternativas para garantir segurança hídrica à cidade. A principal delas, a captação do Rio Pitangui, só saiu do papel uma década depois, quando a água já havia sumido das torneiras e a paciência da população evaporado.
Governar no improviso, nesse caso, teve consequências reais: famílias dias sem água, comércios prejudicados, escolas e unidades de saúde operando no limite.
A CPI instalada na Câmara Municipal não fez mais do que registrar o óbvio: houve falha grave da concessionária e conivência do poder público fiscalizador. O relatório apontou negligência.
O maior dano não cabe em números — é a quebra de confiança. Uma empresa que detém monopólio de um serviço essencial não pode tratar o cidadão como refém nem a crise como nota de rodapé.
Suspender a cobrança da conta por um mês, prometer descontos futuros ou assinar termos de ajustamento de conduta são medidas paliativas. Não resolvem o problema estrutural nem apagam o fato de que a crise só foi enfrentada quando se tornou politicamente insustentável ignorá-la. Até então, silêncio, notas técnicas e a velha aposta no esquecimento coletivo.
Água não é favor. É direito básico. Quando falta, não se trata apenas de desconforto, mas de dignidade, saúde pública e responsabilidade administrativa. Ponta Grossa não sofreu por falta de chuva, sofreu por falta de gestão. E isso, diferentemente do clima, tem nome, cargo e contrato.
Que a crise sirva de alerta: saneamento não pode ser tratado com improviso nem arrogância corporativa. Quando a torneira seca, o discurso também perde força. E a conta, cedo ou tarde, chega — ainda que não venha impressa no boleto da Sanepar.
Guaratuba, Matinhos, Pontal do Paraná, Morretes, Antonina, não poderão conviver com falhas neste verão, onde o governador Ratinho Junior finalmente olhou para o litoral paranaense depois de décadas de luta pelos gestores dos municípios.
Não adianta, portanto, tirar lixo da orla como abono. É preciso gestão eficiente e responsável. Teste de São Tomé.





