Ao longo de 2025 e já neste início de ano, tenho observado — com crescente irritação — o nível das “notícias” publicadas em algumas plataformas da internet, que insistem em se autodenominar veículos de informação.
Confesso: ataca o fígado.
Na busca legítima por informações de interesse geral, o que se encontra é uma avalanche de fofocas irrelevantes, embaladas como manchetes, pensadas não para informar a sociedade, mas para satisfazer algoritmos e enriquecer empresas caça-cliques e seus respectivos “influencers”. Informação virou pretexto; o objetivo é outro.
Nos últimos quinze ou vinte dias, por exemplo, fomos soterrados por um verdadeiro tsunami de besteirol envolvendo Paolla Oliveira e Diogo Nogueira, que decidiram encerrar um relacionamento. E daí? O país parou. Foram horas e horas de especulações sobre motivos, traições imaginárias, versões inventadas e conjecturas dignas de mesa de bar — tudo tratado como se fosse um acontecimento de interesse nacional.
Mal se dá cinco ou dez minutos de descanso ao casal, surge outro “fato urgente”: Zé Felipe terminou com a boiadeira Ana Castela. Manchetes, análises, “fontes próximas”, como se a humanidade dependesse disso para seguir em frente. Não satisfeitos, entram em cena novos capítulos: Vini Jr. “toma” a namorada de alguém, desfile em Paris, exposição da vida alheia como espetáculo — como se isso fosse grande coisa, como se tivesse qualquer relevância pública.
Para completar o pacote, vêm as chamadas antecipando o que vai acontecer nas novelas do dia seguinte. Sim, manchete para roteiro de ficção. Tudo isso disputando espaço com o que realmente deveria importar: política pública, economia, saúde, educação, meio ambiente, segurança. Mas esses temas exigem apuração, leitura e responsabilidade — três coisas que não dão tantos cliques.
E quando parece que o fundo do poço foi alcançado, surge ele: o Big Brother. A consagração definitiva do vazio elevado a conteúdo. Um reality show tratado como se fosse termômetro social, debate cultural e assunto prioritário, enquanto o país enfrenta desafios reais, profundos e urgentes.
O problema não é a internet. O problema é a desistência do jornalismo. A troca do critério editorial pelo algoritmo, da relevância pelo engajamento barato, da informação pelo ruído. Perdemos os jornais impressos, mas não precisávamos perder o bom senso.
No meio dessa barulheira toda, sobra um leitor exausto, mal informado e irritado — tentando, em vão, encontrar notícia onde só há fofoca.
E isso, definitivamente, não dá mais para suportar.





