Por Caroline Saladini – Perda de força, alterações no equilíbrio e ambientes inseguros aumentam o risco; especialista da SBGG-SP defende adaptação de espaços e exercícios de força e equilíbrio.
As quedas entre pessoas idosas são um problema crescente no Brasil e resultam de uma combinação de fatores. Com o avanço da idade, é comum haver perda de massa e força muscular, alterações no equilíbrio e na marcha, além de dificuldades visuais, condições que aumentam a vulnerabilidade. Esse risco se intensifica quando o ambiente não oferece segurança adequada: pisos escorregadios, ausência de barras de apoio, tapetes soltos e iluminação insuficiente são exemplos frequentes de armadilhas domésticas que podem levar a acidentes.
Para Caroline Saladini, fisioterapeuta, especialista em gerontologia e membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia de São Paulo (SBGG-SP), o tema exige urgência e mudança de mentalidade. “As quedas não são apenas acidentes e não devem ser consideradas como algo normal do envelhecimento. Muitas vezes, elas marcam o início de uma perda importante de funcionalidade. Comprometem a independência, geram insegurança e afetam tanto a saúde física quanto emocional. Por isso, precisamos priorizar ações preventivas, desde a adaptação dos ambientes até o fortalecimento muscular e o treino de equilíbrio com exercícios específicos”, afirma.
Em Instituições de Longa Permanência para Idosos (ILPIs), onde a incidência de quedas costuma ser mais elevada, a prevenção deve ser prioridade absoluta. Essas instituições têm papel essencial no cuidado de pessoas que precisam de suporte contínuo, mas é fundamental que estejam estruturadas para garantir a segurança dos residentes. Isso envolve uma abordagem multifatorial, com capacitação das equipes, ajustes arquitetônicos, revisão medicamentosa e programas regulares de exercícios físicos, sempre com supervisão profissional.
Entre os desfechos mais graves está a fratura de fêmur, frequentemente associada a quedas. Além de exigir, em muitos casos, intervenção cirúrgica o que pode ser mais complexo em pessoas idosas, há risco aumentado de complicações como infecções, tromboses e perda de mobilidade. O impacto emocional também é significativo: medo de cair novamente, depressão e isolamento social podem acelerar o declínio funcional e comprometer a qualidade de vida. “Prevenir quedas é um investimento em saúde e dignidade. Precisamos agir antes que elas aconteçam, promovendo ambientes seguros e incentivando um cuidado integral”, reforça Caroline.
Mais do que um problema individual, as quedas na população idosa são um desafio de saúde pública que exige resposta urgente e integrada. Ampliar ações preventivas, adaptar espaços e fortalecer políticas voltadas ao envelhecimento saudável são medidas essenciais para proteger uma população que merece viver com segurança, autonomia e dignidade.





