Água é direito, não favor. E planejamento não é opcional. É dever.
A Sanepar conseguiu um feito raro neste verão no litoral do Paraná: transformou a alta temporada em um constrangimento público. A empresa, que deveria ser especialista em planejamento, falhou justamente no óbvio. Faltou água onde ela nunca poderia faltar — em plena temporada, com fluxo previsível de turistas, calor intenso e demanda anunciada há meses.
O resultado foi imediato e visível. Turistas fizeram o que todo turista faz quando abre a torneira e não sai nada: foram embora. Hotéis, restaurantes e o comércio local pagaram a conta de um erro que não foi climático, nem imprevisível, mas administrativo. Planejamento não é surpresa; é obrigação.
O problema, no entanto, não parou nas caixas d’água vazias. A crise respingou no campo político e chegou ao colo do governador Ratinho Junior, que viu sua gestão ser associada a um caos que poderia — e deveria — ter sido evitado. Quando uma estatal erra, o governo sangra junto.
Como se não bastasse, a Sanepar resolveu inovar na estratégia de comunicação. Em vez de explicar por que falhou no abastecimento, passou a distribuir release informando que está fazendo a “limpeza da praia” de uma ilha. Um gesto bonito para foto, mas completamente fora do seu papel institucional. A empresa não é ONG ambiental, nem secretaria de turismo, nem empresa de limpeza urbana. É uma companhia de saneamento. E saneamento começa, invariavelmente, pela água na torneira.
A tentativa de mudar o foco soa como cortina de fumaça. Quando o básico não é entregue, qualquer ação paralela parece mais propaganda do que solução. Não falta areia limpa na praia; falta gestão.
No fim, fica a sensação de que a Sanepar se perdeu na própria missão. Enquanto investe em ações cosméticas para redes sociais, deixa de fazer o que justifica sua existência. E quando uma empresa pública confunde prioridade com marketing, o prejuízo não é apenas operacional — é político, econômico e institucional.





