Acordo Mercosul-União Europeia impõe nova lógica de proteção e preparo às empresas

Por Marcos Pelozato – Tratado comercial reduz tarifas, altera regras tributárias e exige reorganização estratégica dos negócios brasileiros para competir em um mercado mais aberto e regulado.

A aprovação provisória do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul, após 26 anos de negociações, inaugura uma nova etapa para as empresas brasileiras, marcada por mais oportunidades, mas também por exigências mais rígidas de estrutura, governança e planejamento tributário. Ao reduzir ou eliminar tarifas e criar regras comuns de comércio, o tratado altera o ambiente competitivo e obriga empresários a reverem a forma como operam, produzem e se posicionam internacionalmente.

Na prática, o acordo amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores, mas condiciona esse acesso ao cumprimento de padrões regulatórios, ambientais e fiscais mais elevados. 

O tratado funciona como um divisor de águas. O acordo não protege empresas ineficientes. Ele protege negócios organizados, com estrutura tributária clara, controle financeiro e capacidade de atender a regras internacionais.

Um dos principais impactos está no campo tributário. A redução gradual de tarifas de importação e exportação tende a melhorar margens, mas apenas para empresas que compreendem a composição de seus custos e a incidência de tributos ao longo da cadeia. Sem planejamento tributário, o empresário pode até ganhar mercado, mas perder rentabilidade. O acordo exige leitura técnica para transformar benefício comercial em resultado financeiro.

O tratado também aumenta a exposição das empresas brasileiras à concorrência europeia dentro do mercado interno. Isso reforça a necessidade de proteção por meio de eficiência operacional, revisão de contratos, reorganização societária e uso correto de regimes fiscais. A abertura comercial amplia a competição. Quem não se estrutura fica vulnerável, inclusive dentro do próprio país.

Para tirar vantagem do novo cenário, empresários precisam enxergar o acordo como um projeto estratégico, e não apenas como uma oportunidade pontual de exportação. Isso envolve mapear produtos com potencial competitivo, adequar processos produtivos, investir em compliance e estruturar a empresa para dialogar com parceiros internacionais. O empresário precisa pensar como uma empresa global, mesmo atuando localmente. Isso passa por governança, controle de passivos e previsibilidade”.

Outro ponto sensível é a proteção jurídica e financeira do negócio. Com mais integração entre mercados, aumentam também os riscos contratuais, cambiais e operacionais. Estruturas frágeis tendem a sofrer mais em ambientes abertos. O acordo premia quem tem organização e pune quem opera no improviso. A empresa precisa estar preparada para crescer sem perder controle.

O maior erro do empresário brasileiro é enxergar o acordo apenas como um benefício externo, distante da realidade do dia a dia. Esse tratado muda a lógica interna das empresas. Ele exige profissionalização, planejamento tributário contínuo e visão de longo prazo. Quem entender isso primeiro sai na frente,

Mais do que ampliar mercados, o acordo Mercosul-União Europeia redefine o padrão de sobrevivência empresarial. Em um ambiente mais aberto e regulado, vantagem competitiva deixa de ser preço e passa a ser estrutura.

(*) Marcos Pelozato é advogado, contador e empresário. Especialista em estratégia empresarial,

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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