Por Roberto Issamu Yosida – Relato da experiência ímpar da passagem pelo Japão com a família.
Nossa viagem iniciou de vontades diversas em conhecer o Japão. Planejamento, roteiro, hospedagem, ingressos, transporte. Tudo com um semestre de antecedência. Muita informação. Estudo da língua e costumes locais. Aquisição de moeda. Economias. Preparativos para quem foi e para quem ficou. Inclui nossas cadelinhas de estimação que ficaram hospedadas em hotel canino. Para quem viajou conosco na imaginação e em nossa realidade. E torceu para que tudo fosse um sucesso!
Premiamos nossos espectadores com registros em fotos e vídeos de detalhes que julgamos importantes. Evitamos a exposição excessiva para não soar soberba ou necessidade de inclusão.
Primeira etapa foi de Guarulhos a Doha. Impressionantes 14h:30m dentro de uma grande aeronave. Sobrevoamos a Oceano Atlântico, o deserto do Sahara/África, o canal de Suez. Uma aula de geografia impossível de esquecer. A segunda etapa de Doha a Tóquio, da mesma forma impressionantes horas no ar em aeronaves igualmente admiráveis. Mais geopolítica com a visão e proximidade, China, Tailândia, Japão.





Conhecemos o Sushi de esteira, trocamos moedas em máquinas, chegamos ao nosso hotel de nome Rei em Shibuya. A poucos metros do maior cruzamento do mundo. Perto da estátua de Hachiko, o cão fiel.
Aprendemos a usar o vaso sanitário mais tecnológico, com ducha, aquecimento do assento dentre outros detalhes que só ocorrem nesse país.
Muitas pessoas em uma das maiores metrópoles do mundo. Adquirimos cartão Pasmo, que foi nosso meio de pagamento de parte do transporte em toda a viagem.
Fotografei tampas de bueiro personalíssimas, que são únicas no país.
Visitamos templos e fizemos os rituais tradicionais do local.
Fomos a Gotemba, onde vimos o monte Fuji em seu esplendor. Pude compreender a grandiosidade e o motivo de imaginar que o monte Fuji é a ligação entre a terra e o céu.
Viajamos de Shinkansen, onde a pontualidade é seguida à risca. Impressionante velocidade, comodidade, segurança. Aliás, segurança foi um sentimentos que nos acompanhou durante todo o tempo. Nunca estivemos expostos a perigos.
Experimentamos o café da manhã japonês, que se trata de uma refeição com tudo o que há de bom.
Hiroshima com seu apelo incondicional à PAZ. Tudo naturalmente feito. Sem exageros, sem alardes, mas com firme e ensurdecedor som do silêncio que torna os sentidos aguçados para o bem. Sem olvidar o passado e as lembranças do infortúnio da guerra.
Uma mensagem arrebatadora, implacável e humana.
Aqui presenciei um jovem casal com três filhos pequenos. O menor de colo, que chorava no elevador do hotel. E o pai solicitamente pediu desculpas pelo choro. Onde mais se poderia ver isso? O som do silêncio ouvido em todos os lugares em respeito a outra pessoa.
No transporte com infindáveis passageiros, algumas crianças muito pequenas indo sozinhas para a escola com suas tradicionais mochilas. Todos cuidam das crianças, sem assediar, sem interromper seu fluxo de autonomia.
Osaka, cidade de muitos turistas. Da alegria das ruas. As mais celebradas grifes lado a lado nas ruas. Onde na Apple e nas demais lojas a abertura é cronometricamente no horário. Ao entrar, somos recebidos com aplausos dentro de um corredor de funcionários do local. Onde os celulares são expostos sem sistemas de segurança porque é inimaginável pensar que haveria um furto.
Em grandes lojas, a preocupação é com a mobilidade e segurança das pessoas e não de furtos ou roubos.
Provamos a melhor carne do mundo, de Kobe. Restaurantes estrelados e premiados. Universal. Sempre organizada e perfeita. Um passeio inesquecível. Comemoramos os 21 anos da Giovana.
Muitos mercados de peixe e comida de rua. Tudo fresco e impecavelmente apresentado. Muitos sabores, todos feitos com capricho e esmero.
Kyoto, cidade de atrativos como a Tokyo Tower, construída para os jogos olímpicos de 1964. Teamlabs é uma experiência à parte que envolve os sentidos e a tecnologia do futuro. Fujigawagushiku é um encanto. De lá pudemos ver o monte Fuji de ângulos e cores ímpares. Acordamos as 5h com -5 graus para ver o nascer do sol, melhor momento da imponência serena de Fujisan.
Retornamos para Tóquio e ficamos a poucos metros da Skytower. Então decidimos que a passagem de ano seria em família e intimista. Silêncio, segurança total, respeito, pontualidade, comida excelente a preços justíssimos.
Levamos expectativas, ilusões, medicamentos. Retornamos com experiências, sentimentos, saúde e vontade de voltar.
Uma viagem para viver e contar para quem nos ama. Uma viagem para si!
Passagem das responsabilidades para os jovens do grupo de viagem e a certeza de que são capazes de viver onde e como desejarem. É a viagem que marca esse ritual de vida. Os jovens assumem as conduções com leveza, sutileza e delicadeza próprias da idade. Os mais experientes deixam seu legado de formação, estima e consideração.
Durante a viagem soubemos que um grande amigo deixou nosso convívio. Lembranças dos bons momentos que vivemos juntos e meditação nos templos japoneses em sua memória. Certamente ele ficou feliz com nossa lembrança.
Precisa de atenção e concentração para ouvir o silêncio e degustar as atitudes espontâneas de afeto de um povo que faz crer no futuro da humanidade com suas imperfeições, mas com grande esforço para o ideal.
Obrigado Japão!
(*) Roberto Issamu Yosida é paranaense de Nova Esperança, médico especialista em ginecologia e obstetrícia e diretor do Nikkey Curitiba (Associação Cultural e Beneficente Nipo-Brasileira de Curitiba), da qual foi presidente, a exemplo do Conselho de Medicina do Paraná. É cidadão honorário de Curitiba e cidadão benemérito do Paraná. Ele viajou para o Japão com a esposa Paula, as filhas Giovana e Bianca, a mãe Alice e o sobrinho Hugo.





