Alta tecnologia e Inteligência Artificial reforçam diagnóstico precoce e prevenção no Paraná.
A cena se repete com frequência crescente nos hospitais brasileiros: pacientes cada vez mais jovens, na casa dos 40 anos, chegam às emergências vítimas de infarto. O que antes era uma estatística associada à faixa dos 50 e 60 anos agora preocupa médicos, gestores de saúde e especialistas em políticas públicas.
“Essa é hoje a nossa maior preocupação — e deveria ser também da saúde pública”, afirma o cardiologista Costantino Costantini, fundador e diretor-geral do Hospital Cardiológico Costantini, em Curitiba. “Estamos vendo um número elevado de infartos e de mortes súbitas em pessoas jovens.”

Referência nacional em cardiologia, o hospital acaba de dar um passo decisivo no enfrentamento desse cenário com a instalação de dois novos equipamentos de última geração: um sistema de hemodinâmica e um tomógrafo coronário integrados à Inteligência Artificial. O investimento, próximo de R$ 20 milhões, amplia significativamente a capacidade de diagnóstico precoce e tratamento seguro das doenças cardiovasculares.
Segundo Costantini, o problema central não está apenas no avanço da doença, mas na falha em identificá-la a tempo. “Hoje tratamos as consequências de uma enfermidade mal diagnosticada, que não recebe o tratamento adequado antes de se manifestar de forma grave, exigindo cirurgia ou angioplastia.”
A doença silenciosa
A doença cardiovascular segue liderando as causas de morte no mundo. Seu caráter assintomático é um dos maiores desafios. “Na maioria das vezes, o primeiro sintoma é justamente o infarto ou a morte súbita”, explica o cardiologista.
A tomografia coronária, agora aliada à Inteligência Artificial, permite identificar precocemente sinais de aterosclerose — o depósito de gordura nas artérias — antes que o quadro se torne crítico. “É nesse momento que conseguimos intervir de forma justa, com medicamentos, mudanças de hábitos e acompanhamento clínico, garantindo qualidade e expectativa de vida ao paciente.”
Para Costantini, o exame oferece respostas mais precisas ao médico clínico, especialmente quando há histórico familiar e fatores de risco envolvidos. “Não se trata apenas de tecnologia, mas de informação qualificada para tomar decisões corretas.”
Tecnologia a serviço da vida
Além do diagnóstico, os avanços também transformaram o tratamento. Estudos científicos recentes apontam que procedimentos guiados por ultrassom intracoronário reduzem em até 50% o risco de infarto em cinco anos, em comparação com intervenções baseadas apenas na angiografia tradicional.
No Hospital Costantini, o ultrassom intracoronário — um dispositivo de cerca de um milímetro — já integra a rotina dos procedimentos. “Quando usamos imagem intracoronária para implantar um stent, aumentamos consideravelmente a segurança e a eficácia do tratamento”, explica.
A Inteligência Artificial, associada a imagens de altíssima definição, eleva ainda mais esse padrão. “Ela nos ajuda a decidir com maior precisão o que fazer e como fazer. Hoje trabalhamos com um grau de segurança próximo de 98%”, afirma.
Reconhecimento internacional
Em novembro do ano passado, o hospital foi palco de um congresso científico internacional que reuniu algumas das maiores autoridades mundiais em cardiologia intervencionista e diagnóstico. Durante o evento, especialistas acompanharam procedimentos ao vivo e analisaram imagens geradas pelos novos equipamentos.
“Tivemos transmissões simultâneas de duas salas: uma com a tecnologia de cinco anos atrás e outra com a nova estrutura, que oferece imagem 4K. Foi uma experiência científica ímpar”, relata Costantini.
Os novos equipamentos da Philips representam o que há de mais avançado no mundo para diagnóstico cardiovascular e aplicação da Inteligência Artificial, consolidando Curitiba como um polo de excelência na área.
Prevenção ainda é o maior desafio
Apesar dos avanços tecnológicos, Costantini faz um alerta: o Brasil ainda falha na educação sanitária e na prevenção. “Não existe uma cultura sólida de controle dos fatores de risco antes que a doença se manifeste de forma grave.”
Há 25 anos, ele tenta mudar esse cenário com a Caminhada do Coração, evento que reúne mais de 10 mil pessoas em percursos de cinco a seis quilômetros, acompanhados de orientações sobre saúde cardiovascular.
“O exercício físico é a mola mestra da prevenção. Ele reduz obesidade, hipertensão, diabetes, colesterol, triglicerídeos e até o tabagismo”, afirma.
Entre tecnologia de ponta e hábitos simples, a mensagem é clara: combater o avanço dos infartos entre jovens exige diagnóstico precoce, informação de qualidade e mudança de comportamento — antes que o coração cobre um preço alto demais.





