Brasil está na 107ª posição entre os 182 países avaliados. Está alinhado a nações como Sri Lanka e atrás de outros como Argentina e Ucrânia.
O Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025, levantamento anual da Transparência Internacional que mede como especialistas e executivos enxergam o nível de corrupção no setor público, acaba de ser divulgado e manteve o Brasil com a sua segunda pior nota histórica, marcando 35 pontos numa escala que vai de 0 a 100, posicionando-o na 107ª posição entre 182 países e territórios avaliados. No ano anterior, 2024, a nota tinha sido 34 pontos, variação considerada estatisticamente insignificante e em patamar de estagnação.
Para se ter uma ideia, a média global é de 42 pontos, a mesma medida nas Américas. Numa ponta, entre os países mais bem colocados, aparecem: Dinamarca (89 pontos), Finlândia (88), Cingapura (84), Nova Zelândia e Noruega (81). No outro extremo, estão Somália e Sudão do Sul (9 pontos), além de Venezuela (10). Atrás de países como Argentina, Belize e Ucrânia (36 pontos), o Brasil se equipara ao Sri Lanka, país na Ásia Meridional com 22 milhões de habitantes. Ficou um ponto a frente de países como Indonésia, Nepal e Serra Leoa. Dos países na América Latina, o Uruguai detém a melhor nota: 73.
Desde 2012, início da série do IPC, o Brasil oscila dentro de uma faixa restrita, sem conseguir sustentar avanços estruturais capazes de alterar sua posição relativa no ranking internacional.
Na série histórica, o Brasil pontuou melhor em 2012 e 2014 (com 43 pontos), em 2013 (42 pontos) e 2016 (40 pontos). As piores pontuações do país foram registradas em 2024 (34 pontos), 2018 e 2019 (35 pontos), e em 2023 (36 pontos). Desde 2015, o Brasil esteve estagnado abaixo da média global dos países.
O Índice de Percepção da Corrupção é considerado o principal ranking internacional sobre corrupção e é publicado desde 1995. A metodologia atual, que permite comparação ano a ano, é usada desde 2012. O índice não mede “casos concretos” e nem soma investigações ou denúncias. Ele reúne dados de até 13 fontes independentes, que captam a percepção de especialistas, pesquisadores, executivos e instituições que acompanham governança e integridade pública. No caso do Brasil, foram usados oito indicadores, o mesmo número de 2024.
Para o diretor executivo da Transparência Internacional–Brasil, Bruno Brandão, o país viveu em 2025 um cenário contraditório, chamando a atenção no exterior pela atuação do STF na responsabilização do ex-presidente Jair Bolsonaro e de aliados acusados de conspirar contra a democracia, mas também teve casos de corrupção em “escala inédita”. Apesar do efeito positivo, “também chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita”, disse. De modo geral, o estudo alerta sobre o agravamento da corrupção no mundo.
Além do IPC, a Transparência Internacional-Brasil divulgou nesta terça-feira (10) o relatório chamado “Retrospectiva 2025”, que faz uma análise qualitativa sobre avanços e retrocessos do país no combate à corrupção no último ano. De acordo com Bruno Brandão, não há relação entre os dois estudos. O Índice é produzido pela rede global da organização a partir de fontes independentes, enquanto o relatório é elaborado pela equipe brasileira com base em pesquisa e consultas com órgãos de controle.
A retrospectiva indica que houve um agravamento da infiltração do crime organizado no Estado, principalmente por meio de corrupção em dois setores da economia formal: o sistema financeiro e advocacia. Ao mesmo tempo, o relatório aponta que o país avançou no uso de inteligência financeira para atacar redes sofisticadas de lavagem de dinheiro. O relatório menciona sequência de operações e escândalos que marcaram 2025, como suspeita de venda de sentenças no STJ e as Operações Sem Desconto, Overclean, Carbono Oculto e Compliance Zero.
O relatório também afirma que o governo federal falhou na resposta ao escândalo do INSS, citando demora na adoção de medidas e críticas à substituição do ministro da Previdência.
Confira AQUI a íntegra do relatório do IPC.
Fonte: Da Redação.





