O centro dos debates políticos do Paraná está nos quatro cantos do Show Rural, em Cascavel. Além de cumprir o papel de vitrine do agronegócio e tecnologia, a feira, uma das maiores da América Latina, também se tornou tradição nada informal e nada discreta: palanque antecipado para candidatos ao Palácio Iguaçu. O governador Ratinho Junior também circula por lá. Com ele, Guto Silva, Rafael Greca e Alexandre Curi.
O evento é vitrine de tecnologia, produtividade, inovação no campo e força do agronegócio paranaense. Na prática, porém, a cada edição cresce a fila de políticos dispostos a circular entre estandes, posar para fotos com chapéu de palha, apertar mãos estratégicas e testar discursos com sotaque rural. Tudo sob o pretexto de “prestigiar o produtor”.
Como teremos eleições este ano, as cenas e cenários são previsíveis. Pré-candidatos ao Governo do Estado disputam centímetros de agenda, tempo de microfone e enquadramento de câmera. A feira vira termômetro de popularidade, laboratório de slogans e ensaio geral de promessas.
Jornalistas, principalmente de rádios, esfregam a famosa latinha na cara de quem passa e a pergunta é a mesma: o senhor é candidato. Ou vai apoiar quem?
O agronegócio é força econômica, política e simbólica no Paraná. Ignorá-lo seria suicídio eleitoral. O problema é o grande evento virou disputa política, transformando debates técnicos em discursos de campanha disfarçados e encontros setoriais em atos de pré-lançamento.
O Show Rural segue gigante. Mas, a cada edição, fica mais claro que não se colhe apenas soja, milho e tecnologia em Cascavel. Colhem-se também sinais, alianças, apoios e ambições.





