A política paranaense passou o carnaval em ponto morto. Com o governador Ratinho Junior curtindo férias nos Estados Unidos, o Palácio Iguaçu ficou entregue ao piloto automático. Sem comando, sem sinalização e, principalmente, sem coragem, aliados e adversários optaram pelo velho esporte local: esperar para ver. A sucessão estadual, que já andava a passos de marcha lenta, resolveu desfilar em câmera lenta.
O silêncio não é por acaso. Sem o governador em cena e sem definição sobre quem herdará sua bênção, o PSD entrou em modo “não me comprometa”. Ninguém quer ser o primeiro a botar a cara na avenida e acabar atropelado quando o desfile oficial começar. O resultado é um carnaval político sem enredo, sem bateria e sem público.
Para não dizer que nada aconteceu, o senador Sergio Moro resolveu brincar de comentarista e ironizou a homenagem de uma escola de samba de Niterói ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A tentativa de lacração fora de época teve resposta imediata do deputado Arilson Chiorato, que vestiu o figurino de guardião do presidente e do PT e devolveu o golpe com dureza.
No fim, a troca de farpas serviu apenas para lembrar que, mesmo quando falta pauta, sobra polarização.
Enquanto isso, o Paraná segue sem debate real sobre o futuro do Estado, sem nomes consolidados e sem liderança em campo. O carnaval acaba, as fantasias caem, mas o vazio político promete continuar — ao menos até o governador desembarcar e decidir se vai reger o desfile ou continuar assistindo de camarote.





