Ou a Sanepar muda de rumo, ou continuará sendo lembrada não pelo que entrega, mas pelo que deixa vazar.
Além do problema da sucessão, o governador Ratinho Junior tem mais um prego na botina: a Sanepar. A empresa – muito lucrativa – parece ter adotado uma lógica curiosa de gestão: discurso moderno e resultados que escorrem, literalmente, pelo ralo.
Há menos de 60 dias, no pico do verão, faltou água justamente onde ela é mais necessária: nas praias do Paraná, onde o governo investiu pesado. Turistas, moradores e comerciantes ficaram na seca enquanto a empresa explicava o inexplicável.
Como se não bastasse, o esgoto resolveu aparecer onde não foi convidado. Em Guaratuba, o despejo de dejetos em rio virou símbolo de uma gestão que trata o litoral como vitrine apenas na alta temporada, mas esquece da infraestrutura básica quando os holofotes se apagam. O dano ambiental ficou, o constrangimento também.

E o roteiro se repetiu. Desta vez no interior. Em Umuarama, novo vazamento de esgoto em rio, nova multa — R$ 280 mil, uma mixaria para quem tem lucos milionários — e a velha sensação de que a Sanepar só reage quando o problema já transbordou. A punição vem depois do estrago, nunca antes da prevenção.
O mais grave é que não se trata de um episódio isolado, mas de um padrão. Falta água quando a demanda aumenta. Falta controle quando o sistema é pressionado. Falta planejamento, sobra improviso. E enquanto rios recebem esgoto e consumidores recebem desculpas, a conta — financeira, ambiental e política — vai sendo empurrada para a sociedade.
Saneamento não é favor, é obrigação. E quando uma empresa pública falha repetidamente no básico, o problema deixa de ser técnico e passa a ser de gestão. Ou a Sanepar muda de rumo, ou continuará sendo lembrada não pelo que entrega, mas pelo que deixa vazar.






