Acidente em trecho em obras na BR-277 questiona medidas de segurança em uso

Trabalhador de concessionária foi atropelado na Serra, após choque entre carretas. Usuários há muito reclamam do sistema primário de sinalização, que não inibe os abusos.

Um funcionário da concessionária EPR ficou gravemente ferido em atropelamento ocorrido na manhã desta quarta-feira (25) em local de obras no km 37 da BR-277, em direção a Paranaguá. O acidente envolveu duas carretas, com colisão traseira e seguida de tombamento de uma delas, ficando atravessada na pista. Também um veículo da concessionária foi atingido e ficou destruído. Ele estava parado no trecho para apoio operacional.

Com o bloqueio da rodovia e as ações de remoção do veículo tombado e socorro ao trabalhador, que envolveu uma viatura do SAMU e, depois, um helicóptero, houve formação de filas de mais de 6 quilômetros na pista de descida em direção ao litoral. A vítima foi atendida em estado grave e transportada a hospital. Já o trecho de serra continuou parcialmente interditado ainda na parte da tarde.

De acordo com informações confirmadas pela Polícia Rodoviária Federal, o trecho onde ocorreu o acidente estava com sinalizações e passando por obras, com a faixa da esquerda interditada. Uma das carretas, ao se aproximar da área, não conseguiu frear e atingiu a traseira dom outro veículo de carga e também a viatura operacional. O trabalhador estava fora do veículo quando foi atingido. A carreta causadora do acidente acabou tombando e agravando a situação do tráfego.

Houve formação de fila quilométrica na descida da Serra, na BR-277 (foto reprodução).

O acidente reabre a discussão sobre a precariedade das medidas que continuam sendo adotadas em termos de segurança em áreas em obras nas rodovias. Especialistas em tráfego alertam que o modelo em uso, quase que estritamente manual e visual, que é empregado há décadas, precisa ser revisto e dotado de novos recursos, em especial tecnológicos. Frear os abusos cometidos por motoristas em áreas de risco é uma das preocupações.

Os acidentes não apenas têm se repetido com muita frequência com os bloqueios implementados, sobretudo em sistemas de pare e siga, como se multiplicam as queixas de falta de fluidez de trânsito, com engarrafamentos gigantescos, causando transtornos de toda ordem, inclusive econômicos, pois envolve consumo de combustível desnecessário a retardo no sistema de transporte de cargas.

Um dos inúmeros acidentes em locais de obras na pista, com questionamento da funcionalidade de medidas preventivas de segurança, ocorreu no final da madrugada de 12 de novembro último, no km 667 da BR-376, no trecho que liga o Paraná a Santa Catarina. Houve engavetamento em local onde também a pista de rolamento da esquerda estava interditada. Choque envolveu carreta e uma van com turistas e que pegou fogo. Uma pessoa morreu e outras 14 ficaram feridas.

Nas últimas semanas, dezenas de publicações nas redes sociais denunciavam bloqueios ao longo da Rodovia do Café (BR-277 e depois BR-376), muitos deles com formação de filas quilométricas e sem justificativa de extensões do trecho, demora em alternância de fluxo e falta de funcionalidade de obras e de planejamento. Ás vésperas da retomada de alguns pedágios e da entrada em funcionamento dos pedágios eletrônicos (free flow), muitas queixas de “muita vitrine para obras de funcionalidade reduzida”. Citação às roçadas, pinturas de faixas, colocação de sinalizações e outras medidas importantes de segurança, mas ainda tímidas diante da precariedade em muitos trechos da malha viária paranaense.

O DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), a ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e o Ministério Público Federal estão de olho.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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