A política do Paraná, sempre marcada por acordos, equilíbrio e liderança regional forte, passou a conviver com um fator de instabilidade permanente com a vinda de Moro.
O Paraná está diante de uma iminente divisão de grupos políticos e bem próximo de uma inevitável ruptura. Está deixando um clima de paz, construído ao longo dos anos, se contaminar por incendiários e predadores. A demonização como ela jamais foi vista no Paraná. Política virando espetáculo.
Isto vem acontecendo com a chegada do paladino da moralidade que inventou o mecanismo da Lava Jato, o senador e pré-candidato ao Governo do Estado, Sergio Moro. Hoje, um adversário político do governador Ratinho Junior ao Palácio Iguaçu e provável adversário nas eleições presidenciais de 2030.
Sergio Moro nunca foi exatamente um jogador de grupo. Sua trajetória política confirma aquilo que muitos aliados aprenderam da forma mais dura: o projeto de poder pessoal sempre falou mais alto do que qualquer compromisso coletivo. Hoje, no Paraná, esse traço volta a se impor com força — e com efeitos colaterais cada vez mais evidentes.
No Paraná, o estrago é ainda maior. Moro não esconde que vê o Palácio Iguaçu como etapa intermediária de um projeto maior: a Presidência da República em 2030. Para isso, atua como um corpo estranho dentro da política estadual, criando tensão permanente e desorganizando o campo que, teoricamente, deveria ser seu próprio abrigo.
Sergio Moro vem ganhando o debate político no Paraná. Ele vem construindo sua caminhada baseada em rupturas, traições e movimentos calculados. Usou o discurso moralista como escudo, mas agiu nos bastidores como um operador frio, disposto a sacrificar aliados sempre que isso lhe rendesse vantagem estratégica. O resultado é um rastro de desconfiança que atravessa partidos, lideranças e estados.
Quem sente esse peso de forma mais direta é o governador Ratinho Junior. Encurralado dentro da própria base, Ratinho assiste a um processo de corrosão interna provocado por um aliado que jamais se comportou como tal. Moro não constrói consensos, não fortalece o grupo e não respeita lideranças locais — apenas ocupa espaço, impõe conflito e trabalha para isolar quem não se submete ao seu projeto pessoal.
A política do Paraná, historicamente marcada por acordos, equilíbrio e liderança regional forte, passou a conviver com um fator de instabilidade permanente. O senador age como se estivesse acima das regras não escritas da convivência política, tratando o estado não como um projeto coletivo, mas como trampolim.
Enquanto prega ética e responsabilidade, Moro pratica uma política de terra arrasada. Onde passa, deixa divisões; onde chega, impõe desconfiança. Não há lealdade duradoura, apenas conveniência momentânea. O discurso público fala em renovação; os bastidores revelam ambição sem freios.
O Paraná paga o preço desse jogo. Um governador pressionado, uma base fragmentada e um ambiente político contaminado por disputas artificiais. O que deveria ser debate de projetos virou disputa de egos.
Neste momento, seus articuladores políticos, infiltrados nos corredores do Palácio Iguaçu, tentam manipular políticos – deputados e prefeitos – com artifícios duvidosos, o que pode levar, efetivamente, a uma ruptura do grupo liderado pelo governador Ratinho Junior. Moro não quer apenas quatro anos no Governo do Paraná. Ele quer oito e almeja a Presidência da República onde concorrerá justamente com Ratinho Junior.
O único que pode barrar esta escalada é o próprio governador Ratinho Junior, que tem 70% da aprovação dos paranaenses, um legado que precisa ser usado com sabedoria e não apenas com liderança política.





