Caso Ivete Sangalo: como identificar e prevenir episódios de síncope vasovagal

Condição é responsável por cerca de 40% dos desmaios e pode estar ligada à desidratação, infecções e queda de pressão.

O recente episódio envolvendo a cantora Ivete Sangalo, que desmaiou após um quadro de desidratação causado por uma infecção intestinal, trouxe à tona um tema comum, mas ainda pouco compreendido: a síncope vasovagal. O desmaio, conhecido clinicamente como síncope, é caracterizado pela perda transitória da consciência provocada pela redução temporária do fluxo de sangue para o cérebro e pode afetar uma parcela significativa da população. Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), cerca de 40% das pessoas devem apresentar ao menos um episódio ao longo da vida. Considerada o tipo mais frequente, a síncope vasovagal ocorre, na maioria dos casos, de forma benigna, mas pode provocar quedas, lesões e exigir avaliação médica.

Embora nem sempre represente um risco grave, a condição requer atenção, especialmente porque parte dos pacientes pode apresentar novos episódios. Estimativas indicam que aproximadamente 30% dos indivíduos podem ter recorrência dentro de um ano, principalmente quando fatores como desidratação, infecções, jejum prolongado ou queda de pressão arterial estão envolvidos. O cenário reforça a importância de reconhecer os sinais de alerta e investigar as causas, garantindo orientação adequada e medidas preventivas para evitar novos episódios.

O desmaio ocorre quando há uma queda súbita da pressão arterial e da frequência cardíaca, reduzindo temporariamente o fluxo de sangue para o cérebro. O corpo perde momentaneamente a capacidade de manter a circulação adequada, e isso pode levar à perda de consciência por alguns segundos. Entre os principais fatores desencadeantes estão desidratação, infecções, jejum prolongado, calor intenso e estresse físico.

No caso de Ivete, a desidratação provocada por diarreia intensa foi o principal fator associado ao episódio. Quando o corpo perde muito líquido, o volume de sangue diminui, dificultando a manutenção da pressão arterial. Esse processo pode causar sintomas como tontura, fraqueza, visão escurecida, suor frio e, em casos mais intensos, o desmaio. Infecções intestinais, viroses e intoxicações alimentares estão entre as causas mais comuns desse tipo de desidratação, especialmente durante períodos de maior circulação de vírus.

Apesar do susto, reforça-se que, na maioria dos casos, é possível prevenir episódios de síncope vasovagal com medidas simples no dia a dia. O principal fator de risco está relacionado à desidratação e à dificuldade do organismo em manter a pressão arterial estável em determinadas situações. 

Quando o corpo perde líquido ou enfrenta situações de estresse físico, como infecções, calor excessivo ou jejum prolongado, o sistema circulatório pode ter dificuldade de manter o fluxo adequado de sangue para o cérebro, o que favorece o desmaio.

Reconhecer os sinais e adotar medidas preventivas pode reduzir significativamente o risco. Algumas das principais orientações incluem:

Manter uma hidratação adequada ao longo do dia
A hidratação é fundamental para manter o volume sanguíneo e a pressão arterial estáveis. Em casos de diarreia, vômito ou febre, a perda de líquidos é maior, e a reposição deve ser intensificada. De acordo com o Ministério da Saúde, a desidratação é uma das principais causas associadas a episódios de queda de pressão e mal-estar.

Evitar longos períodos em jejum
Ficar muitas horas sem se alimentar pode provocar queda nos níveis de glicose e contribuir para sintomas como fraqueza, tontura e sensação de desmaio. O ideal é manter uma rotina alimentar equilibrada, evitando intervalos muito prolongados sem ingestão de alimentos.

Ter atenção aos primeiros sinais do corpo
Sintomas como tontura, visão escurecida, suor frio, fraqueza e sensação de calor são sinais de alerta. Ao perceber esses sintomas, a recomendação é sentar ou deitar imediatamente e, se possível, elevar as pernas. Isso ajuda a melhorar o retorno do sangue ao cérebro e pode evitar a perda de consciência.

Levantar-se de forma gradual
Mudanças bruscas de posição, especialmente ao levantar rapidamente após ficar deitado ou sentado, podem provocar queda momentânea da pressão. Levantar-se lentamente permite que o organismo se adapte e reduz o risco de tontura ou desmaio.

Buscar ambientes ventilados e evitar calor excessivo
Ambientes quentes e abafados favorecem a dilatação dos vasos sanguíneos, o que pode contribuir para a queda da pressão. Sempre que possível, é importante manter-se em locais ventilados e evitar exposição prolongada ao calor intenso, principalmente quando a pessoa já está debilitada.

Embora o episódio de Ivete Sangalo tenha sido pontual e sem maior gravidade, ele serve como alerta para a importância de observar os sinais do corpo e manter hábitos que favoreçam o equilíbrio da saúde.

Quando ocorre de forma isolada, com sintomas típicos e recuperação rápida, o episódio pode não indicar gravidade. Ainda assim, a atenção aos sinais do organismo é fundamental. O desmaio não deve ser interpretado como algo trivial ou simples “fraqueza”, pois pode estar relacionado a alterações cardíacas que exigem investigação. Em situações de dúvida, a avaliação médica é recomendada, já que identificar a causa e descartar riscos é sempre a conduta mais segura.

A orientação é buscar atendimento com urgência quando o desmaio:

  • Acontecer durante esforço físico;
  • Ocorrer de forma súbita, sem aviso prévio;
  • Vier acompanhado de palpitações;
  • Estiver associado a dor no peito ou falta de ar;
  • Acontecer em pessoas com doença cardíaca conhecida;
  • Houver histórico familiar de morte súbita.

A maioria dos casos de síncope vasovagal tem evolução benigna, mas o diagnóstico e a orientação médica são essenciais para garantir segurança e qualidade de vida.

Por Raphael Souza, médico na SegMedic, rede de clínicas ambulatoriais do Rio de Janeiro.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

Outras publicações