Por Fellipe Valle – Normalização da dor pode levar à degeneração silenciosa da saúde.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define como crônica a dor que dura no mínimo três meses e sinaliza prejuízos à saúde, além de classificá-la como doença. A Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), mediante artigo publicado nos Cadernos de Saúde Pública em 2025, apontou que essa condição pode indicar problemas articulares e aumentar 14% da mortalidade entre idosos.
Articulações prejudicadas podem favorecer a morte entre os mais velhos por causar prejuízos multifatoriais à saúde. Além disso, há o atraso na procura por intervenção médica e a normalização das dores crônicas como comportamentos que podem levar à incapacidade funcional.
Quando falamos da perda de saúde articular, também abordamos prejuízos aos músculos e ossos. Isso leva à diminuição da atividade física e da massa muscular, significando mais risco cardiovascular e metabólico. Além disso, há aumento do desequilíbrio e da chance de quedas. São déficits multifatoriais que levam às dificuldades funcionais e à piora da qualidade de vida.
A saúde articular é muito negligenciada, porque temos uma cultura de que viver com dor é normal e que devemos aceitar isso. Muitas pessoas normalizam a dor. Em médio e longo prazo, essa condição pode levar à incapacidade motora e dependência de cuidados, devido à piora sistêmica da saúde. Negligência às articulações significa acelerar o envelhecimento de forma global.
A busca pela longevidade articular é uma das principais ferramentas para evitar complicações na velhice.
Longevidade articular é a capacidade de manter articulações funcionais, estáveis, sem dor e com mobilidade preservada. Não se trata de evitar cirurgias, mas de garantir independência e qualidade de vida, antecipando o desgaste antes que ele se torne incapacitante.
A partir dos 30 anos, há uma degeneração silenciosa e progressiva. Alguns critérios aumentam a velocidade degenerativa, então é importante prevenir em vez de tratar a doença. É mais interessante iniciar a investigação antes de os sinais e sintomas aparecerem.
Sinais de degeneração articular
Ressalte-se haver hábitos do estilo de vida que contribuem para a degeneração articular. Entretanto, os prejuízos à saúde, muitas vezes, acontecem silenciosamente.
O sedentarismo é um grande vilão à saúde articular. Além dele, há a obesidade, os movimentos repetitivos sem preparo muscular, o sono inadequado e os quadros inflamatórios causados por alimentação. Algumas condutas do cotidiano são fatores de risco.
Existem sinais silenciosos de uma saúde articular prejudicada. Por exemplo, a perda da força para subir escadas ou uma sensação de preguiça que não existia. A diminuição na velocidade da caminhada é outro exemplo. As pessoas acham que é natural, mas é o início de um desgaste. Nem sempre é uma dor latente, porque o início da dor é sinal de um grau maior da lesão.
O especialista citou que mudar hábitos é uma estratégia eficiente para promover a longevidade articular. Por fim, é ser possível melhorar a condição das articulações em quase todos os casos.
Existem várias estratégias para evitar o desgaste articular. Dentre elas, a manutenção da massa magra mediante exercícios físicos, alimentação adequada, focando na ingestão de proteínas, o controle inflamatório ao evitar certos alimentos e o monitoramento metabólico com os exames de sangue periódicos. Também há as intervenções médicas, quando forem indicadas.
Quanto mais avançado o desgaste, mais complexa é a recuperação, mas quase sempre é possível melhorar a qualidade de vida com a abordagem adequada para cada caso, seja com terapia regenerativa ou cirurgia. A ideia principal é intervir o quanto antes.
(*) Fellipe Valle é médico ortopedista, diretor da Motore Medicina Avançada.





