Recursos para Rio Bonito do Iguaçu já passam de R$ 63 milhões

Cidade da região Central do Paraná foi arrasada por um tornado da escala F4, no início de novembro de 2025, com sete mortos e mais de 800 feridos, e ainda está sob estado de calamidade.

Pouco mais de quatro meses depois do tornado que assolou Rio Bonito do Iguaçu, deixando rastro de destruição em praticamente 90% de sua área urbana, a cidade da região Central do Paraná vem sendo reconstruída e retomando sua rotina de vida e desenvolvimento. O Governo do Estado vem fazendo a sua parte, focando na reforma e construção de casas e de equipamentos públicos e no apoio financeiro às famílias mais afetadas. O investimento já ultrapassa R$ 63 milhões.

O desastre natural, classificado na categoria F4 (escala Fujita, com ventos que chegaram a mais 333 km/h), ocorreu em 7 de novembro de 2025 e o município ainda está sob decreto de estado de calamidade válido por 180 dias, aprovado no dia seguinte ao tornado. Após esse prazo, que deve se encerrar em abril, a prefeitura deve prestar contas sobre a utilização dos auxílios recebidos, que incluem R$ 11,5 milhões do Fundo Estadual para Calamidades Públicas (Fecap), que passou por mudanças aprovadas pela Assembleia Legislativa do Paraná nos dias seguintes à tragédia para permitir o repasse direto de recursos às famílias e ao município. Do valor destinado à prefeitura, R$ 3,1 milhões foram para a compra de materiais de construção e R$ 8,4 milhões para a aquisição de ônibus escolares para a retomada das aulas.

Os recursos do Fecap também atendem outros dois programas emergenciais voltados diretamente às famílias afetadas: o Superação, que prevê o pagamento de R$ 1 mil mensais por seis meses para auxiliar as famílias, e o Reconstrução, que destina até R$ 50 mil para a compra de materiais de construção e pagamento de mão de obra para reconstruir as casas danificadas. Até março, o programa Superação destinou R$ 7,2 milhões em pagamentos, beneficiando 1.971 famílias em diferentes lotes, permitindo que elas retomem a vida cotidiana. Somente no pagamento referente ao mês de fevereiro, liberado em março, 1.951 famílias receberam juntas cerca de R$ 1,9 milhão.

Os repasses do programa Reconstrução totalizaram R$ 19,2 milhões, com a distribuição de 654 cartões para as pessoas afetadas realizem os pagamentos dos materiais ou profissionais responsáveis pelas obras nas residências. Somente em março foram distribuídos mais 143 cartões, representando R$ 3,2 milhões para aquisição de materiais e R$ 812 mil para contratação de mão de obra. Os repasses variam de R$ 20 mil a R$ 50 mil, conforme o grau de destruição identificado em laudos técnicos elaborados por engenheiros voluntários do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (CREA) e da Defesa Civil.

Nos casos de destruição total da moradia, o auxílio chega a R$ 50 mil, sendo R$ 40 mil destinados à compra de materiais de construção por meio do Cartão Reconstrução e R$ 10 mil para contratação de mão de obra, pagos por meio de voucher de serviços. Para residências com destruição parcial grave o valor é de até R$ 35 mil, enquanto danos leves dão direito a até R$ 20 mil.

Além do auxílio financeiro, as famílias que perderam suas casas tiveram a opção de aderir ao programa de moradias pré-fabricadas construídas pela Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar). O Estado disponibilizou mais de 300 para a cidade e o número final ficou em 50 unidades, com investimento de cerca de R$ 6,8 milhões. Das primeiras 20 casas, uma já foi entregue e as outras 19 estão em fase final de obras, com previsão de conclusão nos próximos 30 dias. As moradias incluem pisos cerâmicos nas áreas molhadas e a prefeitura municipal auxilia na instalação de pisos nas demais áreas internas. Em outro terreno cedido pelo município, cujo processo de terraplanagem executado prefeitura, foi mais longo, também serão construídas 30 casas com a mesma tecnologia construtiva. A Cohapar também vai assinar um convênio com a prefeitura para repasse de mais R$ 6,5 milhões para a construção de mais 50 casas em uma área a ser definida. 

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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