Por Vânia Marcella Calixtrato – Ainda existem mitos que impedem a adesão à vacina, como o receio de que ela incentive a iniciação sexual precoce. Março Lilás chama a atenção para prevenção.
O câncer do colo é o terceiro tipo de câncer com maior incidência entre as mulheres. Para cada ano do triênio 2023-2025, estima-se 17.010 novos casos, o que representa uma taxa bruta de incidência de 15,38 casos a cada 100 mil mulheres, segundo informações do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Causado principalmente pela infecção persistente por tipos oncogênicos do Vírus do Papiloma Humano (HPV), o diagnóstico precoce e a imunização são os pilares para reduzir drasticamente as estatísticas da doença. De acordo com a Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), a vacinação de adolescentes contra o papilomavírus humano pode prevenir cerca de 70% dos casos. Por isso mesmo, é meta estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que 90% de meninas de até 15 anos estejam vacinadas até 2030.
Vencer a barreira cultural das famílias a respeito do tema é um dos grandes desafios para se alcançar a meta. Ainda existem mitos que impedem a adesão à vacina, como o receio de que ela incentive a iniciação sexual precoce.
Contudo, é importante que as famílias entendam que vacina foi desenvolvida para prevenir infecções antes da exposição ao papilomavírus, o que a torna mais eficaz, daí a importância de se promover a imunização ainda na adolescência. “Ela não tem influência sobre o comportamento sexual.
O HPV é um vírus transmitido principalmente por contato sexual. Ele se desenvolve na parte inferior do útero, que se conecta à vagina. Na grande maioria dos casos, ele causa lesões que, se não identificadas e tratadas, evoluem para o tumor maligno.
Outro ponto levantado pelas famílias é a segurança do imunizante, mas a médica esclarece que efeitos colaterais graves são extremamente raros. O mais comum são apenas reações leves como dor no local da aplicação ou febre baixa, riscos que são infinitamente menores do que os perigos de um câncer invasivo.
A campanha Março Lilás, de combate ao câncer de útero, é válida para levar esclarecimento à população sobre este tabu, que acaba colocando muitas mulheres em um risco potencial futuro. Esses mitos precisam ser combatidos com informações científicas, demonstrando que a vacina é uma ferramenta preventiva, não relacionada ao comportamento sexual.
A vacina é indicada também para mulheres de até 45 anos, mesmo já tendo tido contato com HPV. Ela as protege de outras cepas com alto grau de associação com o câncer do colo do útero, além de proteger contra verrugas genitais e outros tipos de câncer.
Além disso, muita gente não acredita que a contaminação pelo papilomavírus humano pode evoluir para um tumor. O caminho para mudar o cenário da doença no Brasil passa pela educação clara sobre estes riscos, campanhas constantes em redes sociais e centros de saúde e, especialmente, nas escolas.
A escola é um ambiente crucial para disseminar informações. Parcerias entre escolas e unidades de saúde para promover a vacinação, esclarecer dúvidas e desmistificar mitos, ajudariam a aumentar a adesão. Em Goiás, foram contabilizados 981 casos da doença em 2024. Já em 2025, os registros chegaram a 622 notificações, número ainda considerado preliminar.
(*) Vânia Marcella Calixtrato é médica ginecologista no Órion Complex.





