O governador Carlos Massa Ratinho Junior reuniu na terça-feira (07) 31 deputados da base para um almoço de alinhamento. Em evento semelhante, em 23 de março, eram 43 os parlamentares convidados, todos integrantes da bancada governista na Assembleia. O prato principal servido à época foi um discurso de despedida do Palácio Iguaçu e a confirmação do lançamento da candidatura à presidência.
A conversa com aliados não se sustentou nem por duas horas, e na tarde daquele 23 de março, a digestão dos parlamentares foi interrompida pela notícia de que Ratinho Junior comunicou a desistência do plano nacional, e pediu para sair da lista de candidatos do PSD para a eleição presidencial.
No almoço de agora, com quórum reduzido em razão de migrações partidárias, os aliados que sobraram tinham a expectativa de que o governador finalmente anunciasse nomes para compor uma chapa da situação para a disputa ao governo estadual. Mas, neste aspecto, todos saíram de barriga vazia. Ratinho repetiu o discurso batido, que repete desde o ano passado, de que segue trabalhando na construção da aliança governista para a sua sucessão.
O “mais do mesmo” ficou indigesto para vários deputados que avaliam que a demora de Ratinho só fortalece o adversário, o senador Sérgio Moro (PL). A partir disso, criou-se um movimento político, poucas horas depois do regabofe ofertado pelo governador. Um grupo de 20 parlamentares se reuniu e considerou acelerar o debate. Uma fonte que acompanhou o encontro indica que a preferência é pela formação de uma chapa com Alexandre Curi e Rafael Greca – ou vice-versa – para enfrentar o ex-juiz na disputa pelo Governo do Estado.
Mais do que um gesto isolado, ou de apoio para a A ou B, o movimento sinaliza que parte expressiva da base considera que o calendário político exige definição — não apenas para consolidar alianças, mas também para evitar dispersão e fortalecer o campo governista.
Na prática, a reunião na Assembleia coloca pressão sobre a articulação conduzida por Ratinho e seus auxiliares. A defesa de nomes, e de uma composição pluripartidária, indica fadiga no discurso de Ratinho, e sinaliza que o debate precisa avançar para além das conversas palacianas, com parlamentares da base buscando protagonismo na definição do futuro eleitoral do grupo.
O recado que fica é de que há convergência em torno da continuidade do projeto político, mas cresce, dentro da própria base, a cobrança por rumo, timing e definição.





