Ratinho Junior e a estratégia do silêncio

Foto/Divulgação

No “Chapéu Pensador”, a fumaça branca não subiu.

O pai, Carlos Massa, garante que o filho, Ratinho Junior, carrega uma “bala de prata” capaz de resolver a sucessão ao Palácio Iguaçu. E reforça, com a segurança de quem conhece o personagem: “Deixem o Juninho trabalhar. Ele sabe o que faz”.

A frase, no entanto, ecoa como um déjà vu na política paranaense. Lembra tempos em que promessas vinham embaladas como grandes revelações — como no episódio em que Roberto Requião anunciou um “petardo” que, no fim das contas, dissipou-se mais no folclore do que nos fatos.

Na última terça-feira (7), o cenário parecia pronto para mais um capítulo decisivo. O encontro com deputados no simbólico “Chapéu Pensador”, cercado pelo verde raro de Curitiba, trazia consigo a expectativa quase ritualística de uma “fumaça branca”. Mas o que se viu foi algo mais terreno: discursos conhecidos, harmonia pregada e nenhuma definição à mesa — apenas o almoço cumprindo seu papel mais objetivo.

Ratinho Junior, fiel ao seu estilo, evitou atalhos e manteve o roteiro da cautela. Pregou união, serenidade e um ambiente político menos inflamado. Um contraste curioso diante de um tabuleiro onde peças já se movimentam com alguma pressa — especialmente com a presença do senador Sergio Moro, que aparece com fôlego nas pesquisas.

No fim, a tal “bala de prata” segue guardada — ou, quem sabe, ainda sendo cuidadosamente polida. Enquanto isso, a política segue seu curso: menos explosiva do que o prometido, mas não menos intrigante.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

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