Deixa legado de títulos no esporte, amor à família e à Pátria e lições de superação e força.
Oscar Schmidt, considerado um dos maiores nomes da história do basquete brasileiro e mundial, morreu nesta sexta-feira (17), aos 68 anos. No período da manhã, ele passou mal e foi levado ao Hospital e Maternidade Municipal Santa Ana, que fica em Santana de Parnaíba, perto de Alphaville, na Grande São Paulo, onde residia com a família.
Chamado de “Mão Santa” pelos lances certeiros em sua trajetória vitoriosa no basquete, Oscar deixa a esposa Maria Cristina e os filhos Filipe e Stephanie. Era irmão do apresentador da TV Globo Tadeu Schmidt. Deixa legado de títulos, patriotismo e de exemplo de superação e força. Detalhes sobre o velório e sepultamento não tinham sido confirmados até o final da tarde desta sexta. A notícia da morte do grande ídolo teve repercussão mundial.
Em 2011, Oscar recebeu o diagnóstico de um tumor maligno na parte frontal esquerda do cérebro. Passou por procedimentos cirúrgicos complexos, quimioterapia e radioterapia para controlar a doença durante mais de uma década. Em 2022, o ex-atleta anunciou ter vencido o câncer após exames não mostrarem mais sinais da doença.
A carreira vencedora
Oscar começou no basquete profissional no Palmeiras, em 1975, mas foi no Sírio que começou a consagrar seu nome na história da modalidade esportiva. Em 1979, sob a liderança do Mão Santa, o clube acabaria sendo o primeiro entre os brasileiros a conquistar o título mundial de basquete. No auge da sua forma física e técnica, ele foi jogar na Itália em 1982. Atuou pelo Juvecaserta até 1990 e em seguida foi para o Pavia, onde ficou até 1993.
No país europeu, Oscar jogou ao lado de Joe Bryant, pai de Kobe Bryant. Foi em decorrência dessa ligação que Kobe, lendário campeão da NBA, colocou Oscar como sendo seu grande ídolo no basquete. Ainda nos primeiros anos na Itália, o brasileiro chegou a ser aprovado no draft da NBA, para jogar no New Jersey Nets. Porém, nunca atuou pela franquia ou qualquer outra equipe norte-americana, sempre destacando sua prioridade em defender a Seleção Brasileira.
A maior conquista do atleta, sem dúvida, foi o título de campeão nos Jogos Pan-Americanos de 1987, quando o Brasil derrotou o time até então tido como imbatível dos Estados Unidos, anfitriões do torneio. O jogo final terminou com o placar de 120 a 115 para o Brasil, com 46 pontos de Oscar. Depois da passagem pela Europa, em 1995 Oscar jogou pelo Corinthians, sendo campeão brasileiro. De 1999 a 2003 Oscar jogou no Flamengo, participando das conquistas dos Campeonatos Cariocas de 1999 e 2002.
Maior pontuador da história do basquete, com 49.973 pontos, Oscar Schmidt foi um dos maiores jogadores da modalidade no Brasil e teve seu reconhecimento mundial. Seus números indicam grandes feitos: 1.093 pontos em Olimpíadas, 55 pontos no jogo contra a Espanha em Seul (1988) e média de 42,3 pontos naquela edição, líder de cestas de 3 pontos, de 2 e de lances livres em Olimpíadas, mais vezes cestinha em Olimpíadas, 10 vezes cestinha do Brasileirão e 7 vezes da Liga Italiana.
A precisão nos arremessos, que lhe rendeu o apelido de “Mão Santa”, não foi a única marca registrada de um atleta que ficou conhecido pelo amor e dedicação ao esporte. Em 2010, foi inserido no Hall da Fama dada Federação Internacional de Basquete, e três anos depois, no Hall da Fama do Basquete (Naismith Memorial). Ainda foi eleito para o Hall da Fama do Comitê Olímpico do Brasil e, também, selecionado para a lista de 100 maiores de todos os tempos.
O apelido de Mão Santa foi dado pelo narrador Álvado José em um torneio Prè-Olímpico, durante vitória do Brasil sobre o México e em que foi comparado com o mexicano Arturo Guerrero, conhecido como “Mano Santo”. Celebrado por ser um dos grandes pontuadores da linha de três pontos., Osmar não alimentava o apelido. Ele fazia questão de afastar a força divina dos ‘milagres’ que fazia em quadra: “Não existe mão santa, existe mão treinada”, costumava dizer.
Após deixar as quadras, Oscar chegou a se aventurar na política, concorrendo a uma vaga ao Senado por São Paulo. Apadrinhado do ex-governador Paulo Maluf, ele acabou perdendo para Eduardo Suplicy. Em 1997, um ano antes da eleição, Oscar tinha assumido a Secretaria de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo, durante a gestão do então prefeito Celso Pitta.






