Quando a tristeza deixa de ser baby blues? Os sinais de alerta

Por Rafaela Schiavo – Choro frequente, culpa, irritação e vontade de se isolar podem ir além do cansaço; entenda quando buscar ajuda profissional e como a psicoterapia pode ajudar.

O pós-parto é um período de mudanças intensas. Sono desregulado, cansaço, insegurança e sensibilidade emocional costumam fazer parte dessa fase. Mas nem todo sofrimento depois da chegada do bebê deve ser tratado como algo esperado ou passageiro.

Quando a tristeza se prolonga, o choro vira rotina, a culpa pesa o tempo todo, o medo aumenta, a irritação se torna frequente e a mulher deixa de sentir prazer nas coisas, é importante olhar para isso com mais cuidado. Esses sinais podem indicar a necessidade de ajuda profissional.

Embora muita gente ainda fale em depressão pós-parto, na maioria dos casos, os sintomas começam ainda na gestação. Por isso, o termo mais correto hoje é depressão perinatal. Aproximadamente 25% das gestantes apresentam sintomas de depressão. No pós-parto, esse número fica em 20%. Isso ajuda a mostrar que o sofrimento emocional materno não começa, necessariamente, só depois que o bebê nasce.

Por que tantas mulheres demoram para pedir ajuda

Muitas mulheres não procuram apoio ainda na gravidez porque sentem vergonha, medo de julgamento ou acreditam que deveriam estar felizes o tempo todo. 

Já no pós-parto, elas se sentem mais confiantes a buscar atendimento, porque o assunto é mais conhecido.

O risco dessa demora é deixar o quadro se prolongar e ganhar força. Quanto mais cedo a mulher entende que esse sentimento pode ser um transtorno mental, maior a chance de procurar ajuda no momento certo.

Quais sinais merecem atenção

A mulher nem sempre diz com clareza o que está deprimida. Em geral, ela conta o que está vivendo no dia a dia que: 

  • Tudo a faz chorar
  • Perdeu a graça pelas coisas
  • Sente medo, culpa e irritação
  • Vontade de ficar sozinha ou que não se reconhece mais no próprio humor.

Fica o alerta para um erro comum: achar que depressão pós-parto só existe quando há rejeição ao bebê. Ela afirma que esse não é um sintoma obrigatório e que muitas mulheres podem amar o filho e, ainda assim, estarem adoecidas.

Como a psicoterapia ajuda

A psicoterapia perinatal ajuda a entender o que está por trás desse sofrimento e a organizar o tratamento a partir da história da mulher, da gestação e do contexto em que ela está inserida. Há de se citar fatores de risco que precisam ser observados, como histórico pessoal ou familiar de transtornos mentais, gravidez não planejada, perdas gestacionais anteriores, vulnerabilidade social, prematuridade, intercorrências após o parto, violência obstétrica, ansiedade e estresse durante a gestação.

Nos casos leves, a psicoterapia pode ser suficiente. Já quando os sintomas são moderados ou graves, a orientação é combinar o acompanhamento psicológico com avaliação psiquiátrica. O ideal é que esse cuidado seja feito por profissionais com experiência em saúde mental perinatal.

Quando procurar ajuda profissional

  • Se o sofrimento emocional começa a afetar a rotina, o vínculo com a vida, o autocuidado ou a forma como essa mulher atravessa a maternidade, não vale esperar passar sozinho.
  • Tristeza persistente, culpa intensa, medo constante, irritação frequente, perda de prazer e vontade de se isolar não devem ser banalizados. Pós-parto não precisa ser sinônimo de sofrimento silencioso. E o tratamento existe.

(*) Rafaela Schiavo, é psicóloga perinatal, fundadora do Instituto MaterOnline.

Pedro Ribeiro

Jornalista há mais de 48 anos, com passagem pelos principais meios de comunicação do Paraná e autor de vários livros publicados.

Outras publicações