A reação de prefeitos em torno da decisão do deputado Alexandre Curi.
A decisão do deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa, Alexandre Curi, de aceitar o convite do governador Ratinho Junior para disputar o Senado caiu como aquelas jogadas inesperadas que mudam o rumo da partida no meio do jogo.
Até então posicionado como pré-candidato ao Governo do Estado, Curi parecia ter um caminho natural pavimentado rumo ao Palácio Iguaçu. Não apenas por ambição pessoal — legítima na política —, mas, sobretudo, pelo coro crescente de prefeitos e lideranças do interior que viam nele um nome preparado, testado e com trânsito político suficiente para liderar o Paraná em um novo ciclo.
Lealdade a um projeto político
Ao aceitar a missão de disputar o Senado, Curi sinaliza, antes de tudo, lealdade a um projeto coletivo. Compra a ideia de unidade de grupo, de continuidade administrativa e de alinhamento estratégico com o atual governo. É um movimento que, no tabuleiro político, faz sentido.
Mas a política raramente é feita apenas de lógica.
A reação imediata de dezenas de prefeitos revela algo mais profundo: havia, sim, uma expectativa real em torno de seu nome para o Executivo. Mais do que isso, havia confiança. E confiança, na política, não se transfere automaticamente — muito menos por decreto.
Permanência à frente da Alep
Ao mesmo tempo, sua permanência à frente da Assembleia também era vista como um ativo importante. Sob sua condução, o Legislativo estadual encontrou estabilidade, diálogo e protagonismo — algo nem sempre comum em tempos de tensão política.
O episódio escancara uma verdade muitas vezes ignorada: decisões de cúpula nem sempre caminham no mesmo ritmo das bases. E quando isso acontece, o ruído é inevitável.
Ainda assim, Alexandre Curi não sai menor desse movimento. Pelo contrário. Ao aceitar o desafio, assume um novo papel no xadrez político do Paraná, ampliando seu raio de atuação e se colocando em uma disputa que exige densidade política e capacidade de articulação nacional.





