Para especialista, inclusão no SUS e no rol da ANS amplia acesso à tecnologia minimamente invasiva e marca novo momento na urologia oncológica.
A cirurgia robótica para o tratamento do câncer de próstata passa, a partir deste mês, a ter cobertura obrigatória no Brasil, tanto pelo Sistema Único de Saúde (SUS) quanto pelos planos privados regulados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A medida representa um avanço relevante na ampliação do acesso à tecnologia, considerada uma das mais modernas no tratamento da doença.
Para o urologista e uro-oncologista Luís César Zaccaro, a inclusão da técnica na cobertura representa um marco para a especialidade. “Eu vejo essa decisão como um divisor de águas na urologia. A cirurgia robótica já é uma realidade consolidada no mundo, mas ainda era pouco acessível por aqui. Com essa medida, a gente começa a mudar esse cenário. Na prática, mais pacientes vão ter acesso a uma cirurgia mais moderna, mais precisa, com menos impacto no corpo e uma recuperação muito mais rápida”, afirma.
O especialista destaca que o avanço vai além da incorporação tecnológica. “É um passo importante não só em inovação, mas principalmente em acesso e qualidade do cuidado. A cirurgia robótica permite manter a segurança oncológica com menor agressão ao organismo, o que faz diferença direta na vida do paciente”, completa.
Cenário em expansão
A inclusão da cobertura acompanha um movimento de consolidação da cirurgia robótica no país, que vive um ciclo acelerado de expansão. Entre 2018 e 2022, o Brasil registrou 88 mil procedimentos robóticos, número mais de quatro vezes superior ao período anterior, segundo dados da Associação Médica Brasileira (AMB). O crescimento está diretamente ligado à ampliação do número de equipamentos, que passou de 51 para mais de 110, e à redução de custos, estimada entre 30% e 50%.
No campo da regulação, o Conselho Federal de Medicina (CFM) já estabelece critérios para a realização do procedimento, exigindo capacitação específica e centros habilitados para cirurgias de alta complexidade.
Impactos da doença
A incorporação da técnica ocorre em um cenário de alta incidência de cânceres urológicos no Brasil. Projeções do Instituto Nacional de Câncer (INCA) indicam quase 100 mil novos casos anuais dessas doenças até 2028, sendo o câncer de próstata o mais frequente entre os homens, com cerca de 77.920 diagnósticos por ano.
Responsável por aproximadamente três em cada dez casos de câncer na população masculina, o tumor está fortemente associado ao envelhecimento e exige acompanhamento regular para diagnóstico precoce, fator determinante para melhores resultados no tratamento.
A prostatectomia radical é a cirurgia de retirada completa da próstata e estruturas associadas, indicada principalmente em casos localizados ou localmente avançados. Com o uso da tecnologia robótica, o procedimento tende a apresentar melhores resultados funcionais no pós-operatório, além de recuperação mais ágil.
O que é a cirurgia robótica
A cirurgia robótica é um procedimento minimamente invasivo realizado com o auxílio de um sistema robótico controlado pelo cirurgião. A tecnologia oferece visão tridimensional ampliada e instrumentos com movimentos articulados, que permitem maior precisão do que a mão humana.
“Na prática, isso se traduz em menor trauma cirúrgico, redução do sangramento, menos dor no pós-operatório e recuperação mais rápida. No caso do câncer de próstata, há ainda impacto direto na preservação de funções importantes, como a continência urinária e a função sexual”, comenta Zaccaro.
(*) Luís César Zaccaro é urologista, uro-oncologista e cirurgião robótico. Mestre em Oncologia pelo Hospital de Amor de Barretos, é chefe do Ambulatório de Uro-oncologia da Santa Casa de Ribeirão Preto, delegado da Sociedade Brasileira de Urologia – Seccional São Paulo, diretor do GEURP – Grupo de Estudos em Uro-Oncologia de Ribeirão Preto e referência nacional em cirurgia robótica, atuando também como proctor e palestrante em congressos no Brasil e no exterior.





