O descarte de uma lealdade com prazo de validade, porém, recorrente e histórica.
A política, por si só, já é uma ciência complicada. Mas o político ou o agente público que aprende a usá-la como ferramenta de conveniência consegue ser ainda mais.
Ele molda discursos e descarta relações como quem troca de gravata. É o tipo que entende o jogo, sim, mas escolhe jogá-lo sem qualquer compromisso além do próprio interesse. Gratidão? Essa palavra não funciona para eles.
Usam enquanto precisam, ignoram quando já não serve. Fracassam no básico da convivência humana.
O personagem da vez é desses que confundem lealdade com conveniência e gratidão com fraqueza. Enquanto precisava, era presença constante.
Hoje, com lugar bem confortável ao sol ou na água saborosa e rica no governo de Ratinho Junior, é mestre em números que agradam o chefe e os sócios da empresa. Não foi evolução. Foi revelação. Tem jurisprudência.
Não é ingratidão apenas .É cálculo e, esse tipo de figura, não abandona aliados por acaso; descarta quando julga que já não servem mais. Trata relações como utensílios: usa, desgasta e joga fora.
É como se o cargo emprestasse caráter. Como se sentar numa estatal lhe desse estofo moral. Não dá. Cargo não amplia ninguém — só revela o tamanho real.
A ilusão de grandeza costuma durar pouco. A política é um terreno onde a memória não perdoa e a queda, quando vem, não avisa. E quando esse dia chegar — porque chega — não vai faltar quem lembre exatamente quantos degraus humanos foram pisoteados na subida.
No fim, sobra o retrato: não de alguém que venceu, mas de alguém que se revelou pequeno demais para a própria ascensão.





