Cristina Graeml: candidata ao Senado, vice-governadora, candidata à Câmara ou nada…
A pergunta que o cenário político paranaense ainda não sabe responder é também a mais desconcertante: o que exatamente Ratinho Junior prometeu a Cristina Graeml para atraí-la ao PSD? E, mais importante: ele vai honrar a palavra?
A filiação foi anunciada no dia 31 de março com aquela encenação característica da política brasileira — vídeo nas redes sociais, discurso de convergência de valores, elogios mútuos. Mas havia substância por trás da liturgia. Cristina não chegou ao PSD pela porta dos fundos. Foi recebida com tapete vermelho e salamaleques, anunciada com a pompa de uma grande contratação.
E havia razão para isso. Ela chegou com o peso de quem disputou o segundo turno da última eleição para a prefeitura de Curitiba, obtendo 42% dos votos válidos — mais de 390 mil — contra Eduardo Pimentel. O detalhe que tempera a história: Pimentel é do PSD, o mesmo partido que agora a recepciona como aliada. Ontem adversária; hoje, companheira de legenda. A política tem dessas.
O contrato de Ratinho Junior
Não é uma estreante. É uma força eleitoral comprovada, com base de apoio sólida justamente no eleitorado que o PSD precisa seduzir em 2026. Ratinho sabia o que estava contratando. O que não foi esclarecido até agora — e é o que mais importa — é em que posição Cristina será escalada no time de Ratinho. Não parece lógico ter feito uma contratação de tanto peso para mantê-la no banco de reserva. Até porque está faltando craque nessa equipe, que corre o risco de perder de goleada.
Do lado do governador, a situação também não era de força tranquila. O PSD paranaense sangrou em poucas semanas: Rafael Greca foi para o MDB; Alexandre Cury, presidente da Assembleia Legislativa, migrou para os Republicanos para disputar o governo estadual. Ratinho havia descartado a candidatura à presidência e precisava recompor o tabuleiro. A chegada de Graeml não foi um gesto de generosidade — foi uma resposta ao esvaziamento.
Pula pula de partidos
Cristina, por sua vez, também precisava de uma legenda. Era tida como candidata ao Senado pelo União Brasil, em chapa com Sergio Moro. Quando Moro migrou para o PL — que já tinha seus próprios postulantes ao Senado — ela ficou sem partido e sem projeto. O PSD foi o quarto partido em menos de dois anos na sua curta carreira política. Mas chegou a ele não como náufraga, e sim como quem aceita a melhor oferta disponível na praça.
O problema é que Cristina não veio para fazer número. Sempre deixou claro que só se interessaria pelo Senado. Mas a vice-governadoria não deve ser descartada como opção menor. Ao contrário: uma mulher com base eleitoral sólida em Curitiba, o maior colégio eleitoral do Paraná, agregaria muito a uma chapa encabeçada por Sandro Alex — que vem do interior e precisa equilibrar a composição. A questão é outra: ela quer a vice? E, se quiser, Ratinho está disposto a bancar seu nome numa posição tão estratégica?
O que sobra para Cristina
Mas aqui mora o nó. O Paraná elege dois senadores em 2026, e o tabuleiro ficou mais complicado do que parecia. Alexandre Curi, dado como saído do grupo de Ratinho quando migrou para os Republicanos, voltou rapidamente à órbita do governador e já foi anunciado como pré-candidato ao Senado com as bênçãos do próprio. Sobra, na melhor das hipóteses, uma vaga — e Cristina quer exatamente essa cadeira.
O complicador é que Curi acumula força própria suficiente para embaralhar o jogo além do Senado. Em encontro recente com quase 300 prefeitos, Ratinho passou o constrangimento de ouvir o coro que pedia Curi para governador. Há quem especule que, se Sandro Alex não decolar nas pesquisas, o governador poderia rifá-lo e escalar Curi para encabeçar a chapa majoritária — o que abriria mais espaço no Senado, mas reorganizaria todas as peças do tabuleiro. Nesse cenário movediço, o que sobra para Cristina Graeml é a pergunta que Ratinho ainda não respondeu.
Cristina é inteligente e sabe jogar. Mas a história recente mostra que, no xadrez paranaense, ela tem sido movida por circunstâncias mais do que por estratégia própria — de Moro a Ratinho, de legenda em legenda. A questão não é se ela acreditou no governador. É se, desta vez, a promessa vai se converter em candidatura real — ao Senado ou à vice — ou se, lá pelo meio do ano que vem, ela vai se ver novamente procurando guarda-chuva.





